CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO NÃO-FORMAL EDUCACIONAIS

  

(Texto retirado do Blog: http://sauloseiffert-ciencia-tic-educacao.blogspot.com/2011/10/contextualizacao-do-espaco-nao-formal.html)

 

A divulgação científica biológica para leigos é feita em espaços formais e informais de ensino, e tem como interseção dos dois ambientes. A educação tem como pressuposto um paradigma de funcionalidade, no qual há contemporaneamente o paradigma formal e informal, há relações que justificam a existência do não-formal. Às vezes há confusão sobre esses termos: formal, informal e não-formal.
De acordo com os tipos de educação formal e informal de Colly et al. (2002) no seu levantamento, fundamenta que primeiramente ocorre educação a partir da motivação do que aprende, voluntário ou conduzido. Erauto (2000) caracteriza o aspecto “formal” de educação: um quadro de aprendizagem prevista, um evento organizado aprendizagem (ou o pacote), a presença de um professor ou instrutor designado, a atribuição de um diploma (ou de crédito), a especificação externa dos resultados. No caso o aspecto não-formal da educação está relacionado quando não há características do formal e que é realizado no ambiente de trabalho, sem diferença aparente ao informal.
A Comunidade Européia (CE) define o termo não-formal para atividades que não é definido como informal:
 
O ensino formal: a aprendizagem tradicionalmente dispensada por um ensino ou de formação, estruturada (em termos de objetivos, duração e recursos), conducente à certificação. Aprendizagem formal é intencional do ponto de vista do aluno.
A aprendizagem não-formal: a aprendizagem que não é assegurado por um ensino ou de formação e normalmente não conduz à certificação. É, todavia, estruturada (em termos de objetivos, duração e recursos). Aprendizagem não-formal é intencional do ponto de vista do aluno.
A aprendizagem informal: a aprendizagem decorrente das atividades de vida diária relacionadas ao trabalho, família ou lazer. Não é estruturada (em termos de objetivos, duração e recursos) e tradicionalmente não conduz à certificação. A aprendizagem informal pode ser intencional, mas, na maioria casos, é não intencional (ou fortuito/aleatório). (COLLY et al., 2002, p.11)
 
A partir da revisão de Livingstone (2001) assume com uma compreensão mais abrangente:
 
O ensino formal ocorre "quando um professor tem a autoridade para determinar o que as pessoas designadas que requerem conhecimentos efetivamente aprender um currículo tomadas a partir de um corpo pré-estabelecido de conhecimento ... quer sob a forma de idade, classificados e burocrático sistemas escolares modernos ou mais velhos jovens em início órgãos tradicionais do conhecimento ".
A educação não-formal ocorre "quando os alunos optam por adquirir novos conhecimentos ou habilidades, estudando com um professor voluntário que ajuda seus interesses auto-determinado, através de um currículo organizado, como é o caso da educação de adultos em vários cursos e oficinas.
A Educação ou Formação  Informal ocorre "quando os professores ou mentores assumir a responsabilidade de instruir os outros, sem referência a um contínuo-corpo deliberadamente organizado de conhecimentos de forma mais ocasional e espontânea situações de aprendizagem, tais como orientá-los na aquisição de habilidades de trabalho ou em atividades de desenvolvimento comunitário".
A aprendizagem informal é "qualquer atividade que envolva a busca da compreensão do conhecimento ou habilidade que ocorre sem a presença dos critérios impostos externamente curricular ... em qualquer contexto fora da pré-estabelecidos currículos das instituições educativas".
 
A sugestão de Livingstone (2001) de classificação de paradigmas de aprendizagens:
 
Tabela 1: Tipos básicos de aprendizagem
 
 
Agência Primária
 
 
O aluno (s)
Docente (s)
Conhecimento da Estrutura
Pré-estabelecidos
A educação não-formal
Ensino Formal 
ensinamentos de Professores
Situacional
Auto-aprendizagem
Aprendizagem coletiva
Educação Informal
Formação Informal
 
 
Beckett & Hager (2001) definem as características da educação informal em relação ao formal: a)Prática baseada no trabalho informal é orgânico-holística; b) Com base na prática de trabalho informal de aprendizagem é contextual; c) Com base na prática a aprendizagem informal é uma atividade baseada na experiência; d) Prática baseada em aprendizagem informal surge em situações onde a aprendizagem não é o principal objetivo; e) Com base na prática de trabalho informal é ativado por alunos individualmente e não por professores/formadores; f) com base no trabalho informal aprendizagem prática é muitas vezes em colaboração/colegial. (p.115). (apud COLLY et al. 2002, p.12)
 
Tabela 2: Aprendizagem Formal e Informal de Beckett & Hager
Aprendizagem formal
Aprendizagem informal
Foco na cognição e capacidade individual (exemplo)
Orgânico-holística
Descontextualizado
Contextualizadas
Espectador passivo
Atividade é baseada na experiência
Um fim em si
Dependente de outras atividades
Estimulados pelos professores / formadores
Ativado por formandos
Individualista 
Muitas vezes, em colaboração / colegial
 
Percebendo-se que o espaço não-formal está entre as combinações da educação formal e informal, sendo que alguns critérios sugerido por Colly et al. (2002) para diferenciar o formal do informal:
 
Tabela 3: Possíveis tipos-ideais de aprendizagem formal e informal de Colly et al.
Formal
Informal
Professor como autoridade
Nenhum professor envolvido
Estabelecimentos de ensino
Instalações não-educacional
Controle de professores
Controle do aprendiz
Planejada e estruturada
Orgânica e em evolução
A avaliação somática / creditação
Nenhuma avaliação
Externamente determinados os objetivos / resultados
Internamente determinados os objetivos
Interesses dos grupos dominantes
Interesses dos grupos dominados
Aberto a todos os grupos, de acordo com critérios publicados
Preserva a desigualdade e patrocínio 
Conhecimento proposicional
Conhecimentos práticos e processuais
Alto status
Baixo status
Educação
Não é a educação
Resultados medidos
Resultados imprecisos
Aprendizagem predominantemente individual
Aprendizagem predominantemente comunal
Aprender e preservar o status quo
Aprendizagem de resistência e empoderamento
Pedagogia da transmissão e controle
Centradas no aluno, negociação pedagógica
Aprendizagem mediada por agentes da autoridade
Aprendizagem mediada por democracia do aluno
Fixo e limitado de tempo
Tempo em aberto          
A aprendizagem é o principal objetivo explícito
A aprendizagem é um dos significados secundário ou está implícita
Aprender é aplicável em uma variedade de contextos
Aprender é a contextos específicos
 
 
            Desta forma fazemos distinção de paradigma educacional formal, não-formal e informal do espaço em que pode ser proporcionado, no qual pode ser o espaço formal, não-forma e informal.
Educação ou Ensino Formal é a aprendizagem por meio de estabelecimento reconhecido de ensino com certificação e programa de estudos.
Educação ou Ensino Não-formal é a aprendizagem por meio de estabelecimento reconhecido de divulgação cultura ou científica, não sendo necessariamente certifique ou obrigue a um programa de estudos.
Educação ou Ensino Informal é a aprendizagem não planejada e local sobre conteúdos não especificados e nem sistematizados de um grupo social.
Espaço Formal é o local pertencente ao estabelecimento reconhecido de ensino, no qual o estudante está cursando.
Espaço Não-formal é o local externo e não pertencente ao estabelecimento reconhecido de ensino. Podendo ser: a) institucionalizado, pertencer a uma pessoa jurídica como instituição privada ou pública; b) não-institucionalizado, não pertencer alguma pessoa jurídica.
Espaço Informal não é necessária discriminação, pois não ocorre processo de ensino-aprendizagem planejado.
Desta forma podem ocorrer combinações de modalidade de ensino em relação a espaços, por exemplo, a visita de grupo de ensino formal em espaço não-formal (institucionalizado ou não) e vice-versa. Somente não é necessário a discriminação do espaço informal e do ensino informal, pois não existe premeditação e programa de estudos.
            A possibilidade de uso do espaço formal e não-formal na educação formal é realizada no ensino escolar, pois o espaço não-formal tem sido uma busca de adaptar objetivos formais em espaços informais, no qual não tem sido eficaz o controle da educação informal, mas a educação com opções de espaços não-formais nos mesmos moldes colaboram para alcançar objetivos de ensino melhor controlado do que o informal. Mas haverá sempre elementos informais que contribuíram ao professor, no qual deve se preparar devidamente em relação à escolha do espaço, sobre as inquietações que podem ocorrer no novo espaço.
Assim colaborando para a ecologia do desenvolvimento humano (BRONFENBRENNER, 1986 apud ALVES, 1997), em experimento naturais e planejados numa visão ecológica de desenvolvimento no que “o conjunto de processos através dos quais as particularidades da pessoa e do ambiente interagem para produzir constância e mudança nas características da pessoa no curso da vida”.
            A utilização no Ensino de Ciências Naturais e Biológicas dos espaços não-formais na educação formal é colaborativa com objetivos de integrar uma visão holística de conteúdos e mais as possibilidades de investigação em ensino de temas biológicos junto aos alunos em ambientes adequados para isso, e ao mesmo tempo com o devido preparo do professor.
            Rocha (2008) recomenda algumas instruções sobre atividades em espaços não-formais para docentes da escola básica: 1) Preparação da visita (sala de aula), com o apoio dos pais, o pedagogo e da gestão, no sentido de conceder as autorizações e cooperação na execução da atividade no espaço não-formal com planejamento prévio sobre o que consiste a atividade e o que será feito; 2) Execução da visita (espaço não-formal) no planejamento o marcação da visita (15 dias de antecedência por meio de ofício) preparada com a visita prévio do professor para sondagem das possíveis temáticas a serem trabalhadas, e a operação logística do transporte e apoio de outros funcionários da escola, materiais de apoio para atividade no espaço não-formal e o roteiro de visitas (se possível não ser longa, menos de duas horas dependendo do tipo de atividades); 3) Encerramento da visita (sala de aula), o retorno para escola e fixação das atividades referentes à visita.
            As vistas não podem ser confundidas com passeios livres, a visita tem o objetivo de construção de conhecimentos e possíveis ligações com outros conteúdos e temas de interação Ciência, Tecnologia e Sociedade – CTS (BRASIL, 1998). Assim é necessário o roteiro de atividades para os alunos, não só para o professor, e nesse aspecto é importante também o apoio de outros funcionários para o acompanhamento dos grupos, pois normalmente os ambientes não suportam muitas pessoas em trechos ao mesmo tempo. Administração do tempo é fundamental, deve ser bem planejada, pois para realizar o percurso desejado para todos (se possível) deve o horário de chegada e saída esquematizado, para evitar dificuldades com o transporte.
            Os temas possíveis de serem trabalhados devem ser relacionados aos conteúdos das séries, normalmente está relacionada com a botânica, a zoologia e a ecologia, e a sua interação, como cadeia alimentar, relações ecológicas, morfologia e fisiologia, como também a Educação Ambiental.
            Em Manaus há muitas áreas para visitas com instituições que assumem esse papel de preparação do ambiente não-formal institucional, com uma infra-estrutura adequada à visita de escolas, tais como: Bosque da Ciência (INPA[1]), Zoológico (CIGs[2]), Jardim Botânico Adolpho Ducke, Parque Municipal do Mindu e outros (Apêndice I).
            Segundo Rocha (2008) na sua pesquisa documental de solicitação de visitas a esses espaços (os quarto locais acima), aproximadamente 57,9% foram solicitadas por escolas, 12,1% por instituições religiosas e 30% por outros. Das quais 40,7% foram de institutos educacionais municipais, 12,9% estaduais e 46,7% de outros grupos no ano de 2007. Os objetivos alegados foram atividades de Educação Ambiental (23%), atividade do dia do Meio Ambiente (14%), realização de eventos (14%) e passeio e vista (11,2%). Assim percebe-se que o espaço não-formal utilizado como estratégia de ensino em Biologia sobre conteúdo é pouco utilizado em Manaus.
            Desta forma o ensino formal em espaço não-formal é uma opção para atividades de ensino, mais pode ser um campo fértil para a pesquisa no ensino de Biologia. A pesquisa no ensino é a atividade de se pesquisar a intervenção e as práticas que o professor realizar sobre as suas próprias aulas.
REFERENCIAS
 
ALVES, P. B. A ecologia do desenvolvimento humano: experimentos naturais e planejados.Revista Psicologia Reflexão e Critica, ano/vol.10, n.2, Porto Alegre: 2007.
 
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: ciências naturais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.

 

Colley, H.; Hodkinson, P. & Malcolm, J. “Non-formal learning: mapping the conceptual terrain”. A consultation report, Leeds: University of Leeds Lifelong Learning Institute.2002. Disponível no endereço : http://www.infed.org/archives/e-texts/colley_informal_learning.htm
KRASILCHICK, M; MARANDINO, M. Ensino de Ciências e cidadania.  – 2.ed. São Paulo: Moderna, 2007.
KRASILCHIK, M. Prática de Ensino de Biologia. -4.ed.rev.amp. – São Paulo, SP: Editora da Universidade de São Paulo, 2004.
LIVINGSTONE, D. W. Aduslt’s informal learning: definition, findings, gaps and future research. In: New Approaches to Lifelong Learning, 2001. Disponível em:http://www.oise.utoronto.ca/depts/sese/csew/nall/res/21adultsifnormallearning.htm. Acessado em 10. mai. 2010.
ROCHA, S. B. C. A escola e os espaços não-formais: possibilidades para o ensino de ciências nos anos iniciais do ensino fundamental. Dissertação de Mestrado– Manaus: UEA / Escola Normal Superior, 2008.
 

[1] Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia.
[2] Centro de Instrução de Guerra na Selva – Ministério da Defesa: Exercito Brasileiro.