Cursos de Biologia de todo o País terão de se adaptar

27/06/2011 19:33

Portal IG Educação, 25/06/2011 


Cursos de Biologia de todo o País terão de se adaptar 
Resolução do Conselho Federal exige mais horas para certificar formado e recomenda cursos mais específicos 
Cinthia Rodrigues, iG São Paulo


Quase mil cursos de Biologia em todo o País, responsáveis pela formação de cerca de 40 mil alunos por ano, devem ser revistos por suas instituições. Duas resoluções do Conselho Federal de Biologia do ano passado definem padrões mais rigorosos para certificar profissionais que se formem a partir do final de 2013. A primeira, promulgada em 20 de março de 2010, visa a garantir maior carga horária nos conteúdos específicos de biologia e tem duas fases. Uma, já em vigor desde a publicação da norma, exige 2.400 horas de aulas em conteúdos específicos da área para que a emissão do registro de biólogo seja emitido por um dos conselhos regionais. Neste ponto, a medida tem o objetivo de diferenciar cursos que formam biólogos dos que visam preparar professores de biologia - os cursos de licenciatura na área que são aproximadamente metade do total. 

Desde 2008, o Ministério da Educação (MEC) exige uma carga horária mínima de 3.200 horas para os bacharelados e de 2.800 horas para as licenciaturas. Nestes últimos, no entanto, 1.000 horas devem ser dedicadas à formação pedagógica e sobram apenas 1.800 para conteúdos específicos. “Nós concordamos plenamente com a posição do governo, a licenciatura deve mesmo se preocupar em garantir que professores saibam dar aula, o     problema é que pela legislação atual esta pessoa tem a mesma certificação do especialista”, diz Inga Ludmila Veitenheimer Mendes, coordenadora do Conselho Federal de Biologia. Para quem entrou na faculdade a partir do ano passado a regra é ainda mais rígida. Os formados depois de dezembro de 2013 terão que comprovar 3.200 horas de aulas específica em biologia. “Estamos exigindo o mesmo que o MEC, apenas sendo mais específicos. Hoje há uma tendência à interdisciplinaridade que deve mesmo existir, mas não em detrimento dos amplos conhecimentos necessários dentro da área.” 

Mais enfoque - A segunda resolução trata do ênfase de cada curso. Para o conselho, biologia é uma área muito ampla e uma formação genérica protela a entrada do egresso da faculdade no mercado de trabalho. A recomendação é que os cursos escolham uma ênfase em um dos três seguintes itens: Saúde; Meio Ambiente e Biodiversidade; e Biotecnologia e Produção. Neste caso, a adaptação não é obrigatória, mas a falta de atualização pode prejudicar os formados. Ao solicitar uma Anotação de Responsabilidade Técnica a uma regional do conselho, por exemplo, registro exigido para que o biólogo tenha autorização para assinar um parecer, a análise será feita    considerando as aulas e experiência em um dos enfoques. “As instituições têm autonomia para fazer o que quiserem, mas se fizerem uma salada de frutas obrigarão os alunos a fazer uma pós depois para realmente se inserir no mercado de trabalho”, explica Inga. 

USP e Unesp estão refazendo programa - Segundo o coordenadora da entidade, muitas instituições estão com o processo de mudança em andamento, mas nenhuma informou que tenha concluído a atualização. Em São Paulo, a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) e a Universidade de São Paulo (USP) apresentaram propostas de mudanças a seus conselhos. Na USP, um dos maiores entusiastas da mudança é o professor Carlos Martinez, do Departamento de Biologia de Ribeirão Preto. “A questão de horas não é problema, temos mais de 4 mil horas nos nossos cursos, mas entendemos que a atualização é necessária”, diz. Ele lembra que áreas como Meio Ambiente e Saúde ganharam tanto espaço que atraem profissionais especializados de diversas carreiras. “Hoje há químicos, administradores e até advogados que buscam especializações em gestão ambiental, não faz sentido mandarmos os biólogos fazerem cursos com eles. Temos que prepará-los antes

para serem os especialistas do assunto.”