A CONCEPÇÃO E CONSTRUÇÃO DE ANALOGIAS E METÁFORAS POR PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA MUNICIPAL DE MANAUS-AM, BRASIL

A CONCEPÇÃO E CONSTRUÇÃO DE ANALOGIAS E METÁFORAS POR PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA MUNICIPAL DE MANAUS-AM, BRASIL

SANTOS, Saulo Cézar Seiffert

Universidade Federal do Amazonas

E-mail: seiffertsaulo@gmail.com

FACHÍN-TÉRAN, Augusto

Universidade do Estado do Amazonas

E-mail: fachinteran@yahoo.com.br

Santos_Teran_2012_2Secam_A CONCEPÇÃO E CONSTRUÇÃO DE ANALOGIAS E METÁFORAS.pdf (396,2 kB)

Resumo: O uso de Analogias e Metáforas como recurso didático é uma possibilidade de ofertar conhecimentos científicos de forma que interaja com os conhecimentos prévios dos estudantes. Este trabalho buscou conhecer a concepção dos profissionais da educação em relação ao uso de Analogias e Metáforas no Ensino de Zoologia. No primeiro momento os sujeitos da pesquisa foram 26 pedagogos e 27 professores de Ciências que trabalham com o 7º ano do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino na Zona Leste em Manaus-AM. Utilizaram-se questionários prognósticos na visita escolar. O resultado da analise dos questionários: os profissionais não discerne claramente a diferença entre analogia da metáfora; quando relacionam o termo analogia com analogia morfológica quando relacionam o termo analogia com analogia morfológica. Desta forma, recomenda-se o estudo de Analogias e Metáforas nos cursos de formação como recurso didático na formação inicial e formação continuada dos professores.

Palavras-chave: Analogias e metáforas, ensino de zoologia, pedagogos/professores.

Abstract: The use of analogies and metaphors as a didactic material is able to offer scientific knowledge in order to interact with the students' prior knowledge. This study aimed to know the concept of education professionals regarding the use of analogies and metaphors in the Teaching of Zoology. At first, the subjects were 26 pedagogues and 27 science teachers whose work with the 7th grade of elementary school education in the municipal area of the eastern in Manaus. We applied a questionnaire evaluation of the short course record and one for construction of analogies, and the closed-ended questions, semi-open and open. The result of analysis of questionnaires prognostics: professionals do not clearly discern the difference among analogy of metaphor; when the term analogy they mean to morphological analogy. Therefore, we recommend the use of analogies and metaphors as a teaching tool in initial and ongoing training of teachers.

Keywords: Analogies e metaphors, zoology teaching, pedagogues/teachers.

 

INTRODUÇÃO

A educação brasileira tem evoluído e melhorado nos últimos anos, no entanto o ensino de ciências ainda está num posicionamento muito abaixo do desejado, por exemplo, em relação à avaliação do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (OCDE, 2008) ocupa-se o 56° lugar num ranque de 70 países. Neste diagnóstico sobre o Ensino de Ciências nacional, um dos resultados apontados está relacionado à má qualidade das estratégias e métodos de ensino dos professores de Ciências.

Segundo Demo (2009) os índices do Instituto de Pesquisa Educacional Anísio Teixeira sobre a educação básica, indica que o Ensino Fundamental da Região Norte possui um dos piores resultados do país, no qual as escolas das redes municipais da mesma amargam os últimos lugares em qualidade de ensino e nos resultados de desempenhos dos seus estudantes em relação às escolas federais, estaduais e privadas.

Desta forma, é necessária a verificação do uso das ferramentas didáticas nos métodos e estratégias de Ensino de Ciências no Ensino Fundamental. Segundo Treagust (2008) existem várias ferramentas didáticas, tais como as analogias, modelos, gráficos, figuras, equações, diagramas e simulações. Neste trabalho, nos limitaremos à verificação do uso de Analogias e Metáforas.

É comum o uso de analogias e metáforas como instrumentos didáticos, ou seja, como estratégia para facilitar o potencial deste recurso é grande, por exemplo, a metáfora, é um recurso que surge naturalmente sem grande esforço. Lakoff e Johnson enunciam sobre o uso da Metáfora o seguinte:

 

A metáfora é, para a maioria das pessoas, um recurso da imaginação poética e um ornamento retórico – é mais uma questão de linguagem extraordinária do que de linguagem ordinária. Mais do que isso, a metáfora é usualmente vista como uma característica restrita à linguagem, uma questão mais de palavras do que de pensamento ou ação. Por essa razão, a maioria das pessoas acha que pode viver perfeitamente bem sem a metáfora. Nós descobrimos, ao contrario, que a metáfora está infiltrada na vida cotidiana, não somente na linguagem, mas também no pensamento e na ação. Nosso sistema conceptual ordinário, em termos do qual não só pensamos, mas também agimos, é fundamentalmente metafórico por natureza (grifo nosso) (LAKOFF; JOHNSON, 2002, p. 45).

 

As analogias e metáforas podem ser compreendidas da seguinte maneira: as analogias estruturam-se no raciocínio analógico, são comparações explicitas entre dois domínios, sendo estes o domínio familiar ou conhecido e o domínio desconhecido que se pretende conhecer através da analogia, a relação analógica; a metáfora se estrutura numa comparação entre dois domínios de forma implícita, aproximando-se de uma proporcionalidade de uma analogia (GENTNER et al., 2001, p.1998). As partes básicas de uma analogia são: domínio familiar, domínio desconhecido e a relação analógica. Sendo que muitas metáforas podem ser confundidas com analogias simples, no entanto, sempre a analogia define a característica de comparação, a metáfora não.

Um exemplo para ilustrar a diferença entre analogias e metáforas seria:  João é uma onça (metáfora, não indica o que se compara, é implícito, pode ser qualquer coisa sobre a onça); João é feroz como uma onça (a analogia indica a qualidade de feroz de forma explicita). No caso, para ambas as orações, o alvo é o João, e o análogo é a onça (SANTOS, FÁCHÍN-TERÁN; SILVA-FORSBERG, 2011).

Figuras: Analogia e Metáfora da onça e João.

Alguns cientistas renomados utilizaram analogias para introduzir suas teorias e aproximar a compreensão por meio de construções de objetos análogos, tais como: o sistema hidráulico foi utilizado por Maxwell para compreensão da sua teoria sobre a força elétrica; a anatomia de alguns órgãos vegetais na árvore foi utilizada para explicar a ancestralidade comum e alguns elementos da teoria da Evolução por Darwin; o uso de cartas de baralho foi aplicado para explicar a organização da tabela periódica por Mendeleev, e; Kékule compreendeu o fenômeno da ressonância no anel de benzeno a partir da visão de uma serpente que buscava morder a sua própria cauda realizando um movimento circular (NERCESSIAN, 1992; HARRISON; TREAGUST, 2006).

Estes pensamentos analógicos mais simples foram à base de abstrações para formar teorias ou foi uma estratégia para simplificar a sua comunicação, sendo que não eram perfeitas, mas foram apresentadas como mecanismos introdutórios para posteriormente serem substituídas pela estrutura de conceptualização científica.

A explicação de fenômenos naturais por meio de Analogias e Metáforas de forma transitória na construção de teorias científicas tornou-se um pensamento criativo de cientista para a compreensão do mundo natural. Este recurso didático pode facilitar saltos de compreensões e generalizações no ensino, principalmente para estudantes no ensino básico (WILBERS; DUIT, 2006), sendo sugerido seu uso contextualizado para o Ensino de Ciências, no qual seriam utilizadas formas pictóricas, verbais ou mistas (HARRISON; TREAGUST, 2006). Nersessian (1995) entende que o papel da analogia no ensino é importante, pois considera a sua função constituinte do pensamento científico e, portanto, necessária na alfabetização científica, essencial à formação básica do cidadão.

Cachapuz (1989, p.119) indica algumas dificuldades no manuseio da linguagem metafórica no Ensino de Ciências: A influência de concepções positivas e racionalistas inclina em entender que seria uma substituição ou um desvio que impede o conhecimento objetivo da realidade; Não existe nenhuma teoria sobre a linguagem metafórica que auxiliasse ao docente prever se uma analogia ou metáfora é ou não adequada. Mas, mesmo assim, essa falta não indica que se deve banir do ensino, mais é necessário prudência.

Neste trabalho procura-se conhecer se ocorre uso de analogias como ferramenta didática neste conteúdo escolar, pois o ensino sobre os animais é fundamental para o conhecimento contextual da biodiversidade local, regional, nacional e internacional. Pois conhecer a biodiversidade e sua importância, colabora para a “formação do cidadão planetário” (CHASSOT, 2008; MORIN, 2007).

Existem tipos diferentes do uso de analogias na Biologia, por exemplo, na Teoria da Evolução, existe a explicação de indícios de ancestralidade comum entre organismos de táxons diferentes por comparação de estruturas morfológicas, chamada de analogia morfológica. No entanto, este tipo de analogia não é o tipo de analogia utilizada para o ensino, mas para a compreensão de um constructo biológico.

O estudo da Biodiversidade, em particular a Zoologia, é visto como algo decorativo, descontextualizado de exemplares regionais, com escassos recursos didáticos presentes nas escolas, pouca preparação docente para abordagem de informações específicas sobre a fauna local, entre outros problemas relacionados ao uso do laboratório escolar e interação com espaços não formais (SANTOS, 2010). O conteúdo de Zoologia pode ser explicado de forma menos mecânica e arbitrária os conceitos que lhe são próprios. Nesta suposição, acredita-se que é possível a existência de modelos analógicos que expliquem particularidades de fenômenos zoológicos.

Desta forma, o objetivo desta pesquisa foi conhecer a concepção dos profissionais da educação (professores de Ciências e pedagogos técnicos) da rede municipal de ensino da Zona Leste de Manaus-AM sobre o uso de analogias e Metáforas no Ensino de Ciências no conteúdo de Zoologia. Para fazer isto, pretendemos responder as seguintes questões: o recurso de Analogias & Metáforas (A&M) é conhecido no ensino de Ciências (em especial no conteúdo de Zoologia) por partes dos profissionais da educação em escolas do Ensino Fundamental da rede municipal em Manaus/AM?

 

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A pesquisa possui a abordagem quanti-qualitativa do tipo exploratória e participativa (LARKATOS; MARCONI, 2008; OLIVEIRA, 2008). A abordagem quanti-qualitativa se caracteriza devido à natureza da coleta e analise dos dados. A pesquisa é exploratória, pois se realizou uma sondagem sobre a temática com os sujeitos; e é participativa, porque é realizada a integração com os mesmos por meio de minicurso.

Os sujeitos da pesquisa foram os pedagogos técnicos (profissionais da coordenação pedagógica da escola que orientam os professores) e professores de Ciências Naturais que ministram ao 7º ano do Ensino Fundamental das escolas municipais da Zona Leste de Manaus-AM. O período de visitas nas escolas foi nos meses de fevereiro a março de 2010.

As escolas municipais foram selecionadas para a investigação usando se dois critérios: por serem escolas públicas; o poder municipal tem a responsabilidade prioritária de oferecer no nível básico o Ensino Fundamental. A área de estudo selecionada foi a Zona Leste em função de ser a zona da cidade com mais escolas municipais com o Ensino Fundamental (Informação disponibilizada a partir do sítio oficial da Secretaria de Educação Municipal de Manaus: www.manaus.am.gov.br).

A pesquisa possui os instrumentos de coletas de dados: Questionário prognóstico das visitas nas escolas.

A pesquisa sobre Analogias e Metáforas para o Ensino de Zoologia foi realizada por meio do questionário prognóstico, com perguntas abertas, fechada-aberta e fechadas (Apêndice 1), com quatro questões sobre as concepções sobre Analogias & Metáforas e exemplos utilizados. Os questionários foram disponibilizados para todos os professores e pedagogos presentes no período de visita nas escolas e foi combinado o dia da entrega entre um a quatro dias depois na própria escola.

As analises dos dados do questionário prognóstico foi realizado através da quantificação das perguntas fechadas, sendo processadas através de porcentagens absolutas. Sendo que duas perguntas foram deixadas espaços para comentários não obrigatórios, quando preenchidas configurou-se em questões fechadas-abertas ou semiabertas (FACHIN, 2006). As perguntas abertas e as sentenças abertas das perguntas aberto-fechadas foram analisadas qualitativamente procurando-se padrões de similaridade nas respostas, categorização, inferência e interpretação (BARDIN, 2009).

 

RESULTADOS - ANALOGIAS E METÁFORAS NO ENSINO DE ZOOLOGIA

Os dois distritos educacionais da Zona Leste da Secretaria de Educação Municipal de Manaus informaram que havia 45 escolas com o 7º ano do Ensino Fundamental. De posse dessas informações e em função dos critérios de pesquisa, 41 escolas foram selecionadas e visitadas. Nestas escolas somou-se 148 turmas do 7º ano, com 73 vagas de professores de Ciências Naturais, em que haviam 58 professores efetivamente presentes, 12 vagas sem professores por razões diversas (licença saúde ou outra modalidade de licença, ou simplesmente sem professor), e três (03) professores dispensados devido a reformas nas escolas. Do total, somente 33 escolas colaboraram em participar com a devolução dos questionários (80,4%).

No questionário prognóstico procurou-se conhecer o que os professores compreendiam como Analogia e Metáfora, e se haviam alguma aplicação para o Ensino de Ciências, especificamente sobre o conteúdo de Zoologia, através dos questionários para professores de Ciências e pedagogos técnicos que trabalham junto ao 7º ano.

O resultado da pesquisa sobre a concepção do conceito de Analogia e Metáfora não se aproximou da definição de Nagem e Oliveira (2004), portanto foram definidos os conceitos: analogia como uma simples comparação direcionada a uma ou mais características (componentes) de dois campos, e; metáfora uma comparação não explicita (tácita) ou como figura de linguagem.

Os profissionais pesquisados (N=31, 58,5%) entendiam Analogia como comparação simples entre dois campos. A maioria (N=18, 66,7%) respondeu que conheciam analogias para o ensino de Zoologia. Os professores associavam Analogia para o Ensino de Ciências as analogias morfológicas estudada na Teoria da Evolução.

Os pedagogos não faziam associação com os conteúdos zoológicos (N=13, 50%), somente compreendiam a Analogia como comparação simples, com exceção de um que associou também a analogia morfológica, distinguindo-se este grupo dos professores (Tabela 1).

Relacionado à questão sobre “O que se entende por analogia?” os profissionais da educação que responderem NÃO conhecerem um conceito para Analogia foram 35,8% (N=19), e os que não responderam foram de 5,7% (N=3), desses havia o grupo dos pedagogos que se destacam em desconhecer o conceito para analogia, com 50% (N=13) (Tabela 1).

 

Respostas

Professores (N=27)

Pedagogos (N=26)

TOTAL

 

N

%

N

%

N

%

SIM (conheciam)

18

66,7

13

50,0

31

58,5

NÃO (conheciam)

06

22,2

13

50,0

19

35,8

Não responderam

03

11,1

00

0,0

03

5,7

Total

27

100,0

26

100,0

53

100,0

 

Tabela 1: Conhecimento dos professores e pedagogos sobre o conceito de Analogia.

 

Em relação à pergunta “O que você entende por Metáfora?”, 30,2% (N=16) dos profissionais pesquisados entendiam as Metáforas como comparação não explícita ou como figura estilística de linguagem. Desses, os professores associaram Metáfora à analogia morfológica em 40,7% (N=11), e alguns pedagogos (N=5, 19,3%), não fizeram associação aos conteúdos de Ciências (Tabela 2).

 

Respostas

Professores (N=27)

Pedagogos (N=26)

TOTAL

 

N

%

N

%

N

%

SIM (conheciam)

11

40,7

05

19,3

16

30,2

NÃO (conheciam)

12

44,5

21

80,7

33

62,3

Não responderam

04

14,8

00

0,0

04

7,5

Total

27

100,0

26

100,0

53

100,0

 

Tabela 2: Conhecimento dos professores e pedagogos sobre o conceito de Metáfora.

 

Os profissionais que responderam NÃO conhecer o conceito de Metáfora foram à maioria com 62,3% (N=33), e 7,5% (N=4) não responderam. Sendo que 80,7% (N=21) dos pedagogos não conheciam o conceito de Metáforas (Tabela 2).

Os resultados do nosso trabalho confirmam (em parte) os de Regolon e Obara (2011) e Silvia et al. (2007), no qual afirmam que não há ideia de diferenciação de analogia e metáforas entre licenciandos de Biologia, e que são similares o sentido de ambos e sem diferenças definível para os professores de Ciências do curso de especialização em ensino de ciências, respectivamente.

Dos profissionais que alegam conhecer exemplos de Analogias são 28,3% (N=15), sendo que os professores se destacam com 44,5% (N=12). Os profissionais que não conhecem exemplos de Analogias são 39,7% (N=21), e aqueles que os conhecem são 32% (N=17) (Tabela 3).

O resultado em relação aos exemplos de Metáforas no Ensino de Ciências, 39,7% (N=21) não conhece, mas 22,6% (N=12) afirmam conhecer alguma Metáfora. No entanto, as metáforas mencionadas foram poucas e relatam analogias ou metáforas fora do campo de ensino de Ciências (N=9, 15,11%) (Tabela 4).

Os exemplos das analogias relacionadas foram analogias morfológicas, ou metáforas em temas gerais (Tabela 3), e algumas foram descontextualizadas da área de Ensino de Ciências, e não pertenciam ao conteúdo de Zoologia.

 

 

 

Respostas

Professores (N=27)

Pedagogos (N=26)

TOTAL

 

N

%

N

%

N

%

SIM (conheciam)

12

44,5

03

11,5

15

28,3

NÃO (conheciam)

09

33,3

12

46,2

21

39,7

Não responderam

06

22,2

11

42,3

17

32,0

Total

27

100,0

26

100,0

53

100,0

 

Tabela 3: Conhecimento dos professores e pedagogos sobre exemplos de Analogias no Ensino de Ciências.

 

Respostas

Professores (N=27)

Pedagogos (n=26)

TOTAL

 

N

%

N

%

N

%

SIM (conheciam)

09

33,3

03

11,5

12

22,6

NÃO (conheciam)

09

33,3

12

46,2

21

39,7

Não responderam

09

33,3

11

42,3

30

56,7

Total

27

100,0

26

100,0

53

100,0

 

Tabela 4: Conhecimento dos professores e pedagogos sobre exemplos de Metáforas no Ensino de Ciências.

 

A ocorrência de Analogias e Metáforas em ensino de ciências, em especial em Zoologia, não são frequentes, pois não ocorreram exemplos diretos em conteúdos zoológicos. Neste ponto, na aplicação de analogia, segundo Regolon e Obara (2011), são visto como comparação, modelo ou exemplo. Assim as analogias apresentadas em aula de Zoologia na pesquisa são comparações morfológicas dentro do método de analogias filogenética evolutivas. Desta forma há uma ausência de analogia de ensino de conceitos zoológicos no ensino de ciências, mas ocorrem analogias em outras áreas das ciências biológicas.

Figura: Analogia morfologica.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A maioria dos profissionais da educação desta pesquisa conhece analogia como comparações e metáforas como comparação não explicita ou como figuras de linguagem. Não conhecem exemplos de analogias no Ensino de Zoologia, além das analogias morfológicas do campo evolutivo.

Isto ocorra possivelmente por ser uma disciplina descritiva. Nas disciplinas biológicas relacionadas à biodiversidade e a antiga filosofia aristotélica de comparar, descrever e conceituar foge de analogias. Contudo realiza atividade de aprendizagem mecânica, sendo de difícil assimilação de conceitos e estrutura tão diferentes aos que são conhecidos na estrutura cognitiva dos estudantes. Sendo necessária a construção de analogias neste conteúdo.

Da mesma forma, por não conhecer claramente a distinção de Analogias e Metáforas, pode ocorrer que não saibam relacionar a exemplos vividos ou praticados na docência que reproduzem em aula, pois podem ser feitas de forma espontânea e não planejada para explicação de fenômenos e conceitos biológicos, e por isso não são relacionados por não serem planejados.

Recomenda-se o uso de Analogias e Metáfora como recurso didático na formação inicial dos professores de Ciências e Pedagogia por meio de formação continuada ou nas disciplinas de Didáticas nas licenciaturas, com a finalidade de enriquecer as possibilidades de estratégias e metodologias didático-pedagógicas no ensino.

Uma vez que é um método de ensino muito praticado fora do Brasil em Ensino de Ciências (TREAGUST, 2008), mas pouco desenvolvido pelos professores pesquisados. Assim pode auxiliar como alternativa didática para formação de conceitos científicos utilizando conhecimentos prévios dos estudantes de forma metodológica e prudente por métodos conhecidos como o MECA (Metodologia de Ensino .com Analogia) de Nagem et al. (2001) ou TWA (Theachins Wich Analogies) de Gynn (1991).

 

REFERÊNCIAS

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CACHAPUZ, A. Linguagem metafórica e o ensino de ciências. Revista Portuguesa de Educação, v. 2., n. 3., 1989.

DEMO, P. Aprendizagem no Brasil: ainda muito por fazer. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2009.

FACHIN, O. Fundamentos da Metodologia. 5. ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

GENTNER, D. et al. Metaphor Is Like Analogy. In: GENTNER, D., HOLYOAK, K.J. e KOKINOV, B.N. (Eds.). The analogical mind: Perspectives from cognitive science. Cambridge MA, MIT Press, 2001, p. 199-253.

GLYNN, S. Explaining Science Concepts: A teaching-with-analogies (TWA) Model. In: GLYNN, S. M.; YEANY, R.H. e BRITTON, B.K. (Eds). The Psychology of Learning  Science. New Jersey: Lawrence Erlbalum Associated, 1991, p. 219-240.

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LAKARTOS, E. M.; MARCONI, A. M. Técnicas de pesquisa: planejamento e execução de pesquisa, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. 7. ed. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2008.

LAKOFF, G.; JOHSON, M. Metáforas da vida cotidiana. Coleção as faces da lingüística aplicada. Tradução de Mara Sophia Zanotto. – Campinas, SP: Mercado de Letras: São Paulo: Educ., 2002.

MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 12. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2007.

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NAGEM, R. L.; CARVALHAES, D. O.; DIAS, J. A. Y. T. Uma proposta de Metodologia de Ensino com Analogias. Revista Portuguesa de Educação, v. 2., n. 14., p. 197-213. Universidade do Minho, 2001.

NERCESSIAN. N. J. How do scientists think? Capturing the dynamics of conceptual change in Science. In: GIERE, R. N. (ed.). Cognitive Models of Science. University of Minnesota Press. Minneapolis, MN, p. 3-45, 1992.

NERSESSIAN, N. J. Should physicists preach what they practice? Constructive modelling in doing and learning physics. Science e Education, n. 4, p. 203-226, 1995.

OCDE. Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA 2006: competência em ciência para o mundo de amanhã. Volume 1. São Paulo: Moderna, 2008.

OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.

REGOLON, R. G.; OBARA, A. T. Distinção entre analogia e metáfora para aplicação do modelo Teaching with analogies por licenciandos de Biologia. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 10., n. 3., p. 481-498, 2011.

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Apêndice 1: Questionários aplicados aos Professores de Ciências e Pedagogos nas escolares municipais de Manaus/AM

 

Questionário A – Nas Escolas.

  1. O que você entende por Analogias?
  2. O que você entende por Metáfora?
  3. Você conhece alguma Analogia no Ensino de Ciência, em especial no Ensino de Zoologia? (   ) SIM; (   ) NÃO. Comente:
  4. Você conhece alguma Metáfora no Ensino de Ciência, em especial no Ensino de Zoologia? (   ) SIM; (   ) NÃO. Comente:

 

Questionário B – Avaliação do minicurso.

  1. Você acha acessível utilizar analogias, metáforas e modelos em suas aulas? (   ) SIM; (   ) NÃO. Comente.
  2. O que lhe chamou mais atenção nesta proposta em aspetos positivos para a sua aula?
  3. O que você achou mais difícil de desenvolver neste tipo de proposta?
  4. Você gostaria de utilizar esta proposta em suas turma de 7 ano do Ensino Fundamental? (   ) SIM; (   ) NÃO. Comente:
  5. Avalie por um conceito a formação de hoje: (   ) RUIM; (   ) REGULAR; (   ) BOM; (   ) ÓTIMO.  Comente:
  6. Você gostaria de deixar alguma sugestão para melhorar a formação de hoje?