DIFICULDADES DOS LICENCIANDOS DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DO PARFOR DO MUNICÍPIO DE EIRUNEPÉ-AM

DIFICULDADES DOS LICENCIANDOS DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DO PARFOR DO MUNICÍPIO DE EIRUNEPÉ-AM

 

Ruy Pinto de Oliveira Filho[1]

Saulo C. Seiffert Santos [2]

Resumo

Este trabalho tem o objetivo de fazer um diagnóstico da formação de professores da segunda licenciatura em Ciências Biológicas por uma Instituição Pública de Ensino Superior do PARFOR. O projeto está em três municípios amazonenses com o curso, utilizando-se de questionários com perguntas abertas e fechadas e seleção de estudantes para entrevista utilizando-se da técnica história de vida. O resultado parcial dos questionários do primeiro município está neste trabalho. Percebeu-se que a maioria dos professores trabalham somente na docência, no nível da educação infantil, em que sugerem que necessita de coordenação local do Parfor com unidade acadêmica;

Palavras-chave: Ciências Biológicas; PARFOR; formação.

 

FILHO_SANTOS_2012_2SECAM_PARFOR EOS LICENCIANDOS DO CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DO PARFOR DO MUNICÍPIO DE EIRUNEPÉ-AM.pdf (297,3 kB)

 

INTRODUÇÃO

No interior dos estados da região amazônica brasileira a formação de professores ainda é escassa e apresenta uma ausência do Estado e seus serviços no setor de educação superior para formação dos professores do ensino básico. No entanto, a demanda crescente de professores é constante e muitas crianças vivem em realidades ribeirinhas, no qual são diferentes de regiões urbanas e onde os serviços públicos e privados não são concentrados.

Assim, muitos professores não habilitados de fato em trabalhar com disciplinas do ensino fundamental das séries finais e do ensino médio. Pois muitos são formados nos cursos de normal superior e pedagogia para trabalhar com as séries iniciais do ensino fundamental em cursos a distância promovida pelo Estado ou cursos convencionais nas cidades maiores do Interior do Estado (cidades polos).

Sem contar com estas problemáticas ocorre as distancias reais das comunidades para os centros urbanos que contem escolas, no qual não são escassos professores trabalhando na estrutura multi-seriado. Desta forma, se ocorre dificuldades na formação básica, o que pode se esperar para o ensino superior, ainda mais para a formação dos professores.

Assim, é comum que estes professores, quando existem, poucos são formados nas áreas especificas para o avanço e finalização da educação básica, tais como língua portuguesa, matemática, ciências naturais, geografia, entre outras disciplinas escolares.

Neste contexto, o governo federal por meio do Plano Nacional de Formação de Formação de Professores da Educação Básica (BRASIL, 2009) com o Programa de Formação Nacional de Professores (Parfor) tem proposta metodologias para equacionar e equilibrar esta situação por meio de cursos de licenciatura em serviço para professores com licenciatura (no caso seria a segunda licenciatura) e primeira licenciatura para professores com ensino médio em magistério e bacharéis.

A metodologia de trabalho dos cursos do Parfor normalmente está na matricula do professor através da plataforma Paulo Freire para as vagas em cursos de licenciatura que surgem nos municípios, no qual os cursos são feitos no período de recesso escolar (férias dos alunos da rede básica), no entanto ocupa também parcelas do período letivo. As disciplinas são ministradas em formato de modulo intensivo em dias seguidos de acordo com a quantidade horas em escolas polos ou disponíveis para o curso com duração média de dois anos. As aulas são presenciais e com avaliações presenciais e avaliações finais no período do curso. Os professores que ministram neste curso são de formação superior com pós-graduação no qual ficam destacados no período do modulo no município e recebem recurso financeiro das diárias e bolças de trabalho por cinco meses, e assumem o compromisso de trabalhar a articulação do ensino-pesquisa-extensão de acordo com as disponibilidades da coordenação do curso. Os coordenadores fazem acordos com os representantes do governo das secretárias de educação (municipal e estadual) para viabilização do estudo dos seus professores que normalmente estão de forma irregular em funções que não são habilitados.

Contudo, um programa novo encontra resistências e dificuldades para sua execução, e não poucas criticas para sua propostas, em que podemos enumera algumas: a) formação curta demais paras as necessidades locais, uma vez que os cursos de duração normal encontrar desafios para formação profissional, o que se poderia esperar de um curso com tempo inferior; b) o rigor metodológico e conceitual das disciplinas traria duvidas da qualidade do curso; c) a avaliação para o processo seletivo de ingresso na licenciatura deste e a sua entrada até sua saída do curso superior é pouco eficaz para analise da qualidade dos conhecimentos adquiridos, sendo muitos considerados com muitos defit  de conhecimento básicos nas habilidades de leitura, redação e conceitos básicos; d) a qualidade dos conhecimento profissionais é duvidosa em relação a metodologia empregada; e f) há possibilidade de ocorrerem bastantes desistências do curso pela sua proposta ser em serviço e não dispensado do serviço para o estudo da licenciatura.

Mas para o contrabalanço positivo para esse contexto seria: a) os estudantes são normalmente professores com experiência da profissão no qual contribui com as situações reais do serviço; b) são pessoas normalmente interessadas nas disciplinas, pois necessitam de no desempenho profissional nas disciplinas que lecionam no qual não possuem aprofundamento teórico nas partes especificas de conteúdo científico (tais como biologia, química, et.); c) são profissionais que normalmente possuem maturidade e conhecimento da realidade profissional em suas localidades que podem contribuir com o próprio curso superior para o enriquecimento na relação professor-aluno nas disciplinas da licenciatura.

Desta forma, o Parfor no curso de ciências tem características e dificuldades particulares que são somadas as dificuldades nacionais. Pois em todo o Brasil há deficiência na formação e na quantidade de professores de ciências devido à vocação e necessidade de formação de competências e habilidades relacionadas à investigação e ao raciocínio lógico formal. Ocorrem nas cidades poucos professores de Física, Química, Matemática e Biologia, onde ocorre fluxo continuo de vagas para estas licenciaturas, no interior está situação é mais complexa devido às dificuldades apresentadas acima.

Assim, neste estudo se propõem pesquisar as dificuldades dos licenciando de Ciências Biológicas do Parfor na segunda licenciatura de um município amazônico. Temos o objetivo de conhecer os problemas estruturais-administrativos-pessoais dos professores que estudam em serviço a segunda licenciatura em Ciências Biológicas em uma cidade interiorana distante da capital em um município amazônico brasileiro.

 

PERGUNTAS ORIENTADORAS

Quais as concepções de professores de uma turma de finalistas de Ciências Biologias de um município amazônico sobre as condições estruturais e administrativas de trabalho docente e curso de licenciatura?

Quais as impressões de alguns professores de uma turma de Ciências Biológicas de sua história de vida sobre as condições e decisões que o levaram a optarem pela docência e o estudo da segunda licenciatura e seus problemas pessoais?

Como se faria a triangulação dos resultados das pesquisas para os conhecimentos das dificuldades e desafios para os licenciados do curso de Parfor de segunda licenciatura de município amazônicos?

 

OBJETIVOS

Geral : Analisar as condições estruturais-administrativas-pessoais do licenciando de segunda licenciatura do Parfor no curso de Ciências Biológicas de um município interiorano distante da capital estadual em um município amazônico brasileiro.

Específicos: a) Conhecer as concepções de professores de uma turma de finalistas de Ciências Biologias de um município amazônico sobre as condições estruturais e administrativas de trabalho docente e curso de licenciatura; b) Compreender as impressões de alguns professores de uma turma de Ciências Biológicas de sua história de vida sobre as condições e decisões que o levaram a optarem pela docência e o estudo da segunda licenciatura e seus problemas pessoais; c) Fazer a triangulação dos resultados das pesquisas para os conhecimentos das dificuldades e desafios para os licenciados do curso de Parfor de segunda licenciatura de município amazônicos.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

A disciplina Ciências Naturais para o ensino de 1° grau foi homologada no currículo escolar nacional desde lei da LDB 4.024/61, no entanto a normalização de professores ocorreu somente na década de 70 (MAGALHÃES JUNIOR; OLIVEIRA 2005, p. 1), há uma ligação à valorização da educação quando existe uma valorização do profissional da educação através das políticas públicas e da consagração do ensino básico público e gratuito, Libâneo et al. (2007, p. 129, 130) comenta sobre essa falta de valorização:

As conseqüências da inversão de prioridades estariam, por exemplo, no abandono da democratização do acesso e da permanecia de todos na escola básica em nome da qualidade do ensino. A qualidade do ensino que diminui os índices de evasão e repetência, mas não consegue incluir efetivamente todas as crianças e os jovens na vida escolar da educação básica. Outra conseqüência diz a respeito ao descompromisso do Estado ao descentralizar ações para a comunidade, desobrigando-se de manter políticas públicas, especialmente as sociais, e repassando encargos para outras instâncias administrativas institucionais, porém sem poder decisório.

Assim pode-se resumir a postura do Estado ao decorrer do tempo com a formação do professor de Ensino de Ciências na escola básica. A partir do golpe militar em 64, houve o incentivo a profissionalização na escola média, atropelando a consolidação do ensino fundamental que passou a ser de oito anos e o ensino médio obrigatoriamente profissionalizante na Lei 5.692/71. Houve um aumento quantitativo não acompanhado do qualitativo, em razão do grande crescimento da rede escolar teve que sofrer com o comprometimento da qualidade dos serviços prestados, do magistério e a por fim a desvalorização do professor foi aplicada um padrão cruel:

A ampliação das vagas deu-se pela redução da jornada escolar, pelo aumento do número de turnos, pela multiplicação de classes multisseriadas e unidocente, pelo achatamento dos salários dos professores e pela absorção de professores leigos. O trabalho precoce e o empobrecimento da população, aliados às condições precárias de oferecimento de ensino, levaram à baixa qualidade do processo, com altos índices de reprovação (LIBÂNEO et al, 2007, p. 144).

 

Na lei 4.024/61 junto com a criação do Ensino de Ciências Naturais para o Ensino Básico, foi estipulado um  “currículo mínimo” para a formação de professores que eram as antigas “Escolas Normais”. Na promulgação da lei 5.692/71 foi instituída a educação profissional média, o Magistério foi instituído para a docência em Ciências no Ensino Básico, muitas universidades formaram um currículo de curta duração em ciências de forma integrada, após as tornavam plenas a partir de complementação com uma área das Ciências, assim os professores tinham uma boa formação para o ensino fundamental, mais nem tão boa para o ensino médio (MAGALHÃES JUNIOR; OLIVEIRA 2005, p.1). A partir da LDB/96, lei 9.394/96, determinar que para o Ensino de Ciências para o Ensino Básico dever através de licenciados de nível superior, uma recente conquista, uma vez que foi dado um prazo na LDB de dez anos para fazer adaptação do sistema educacional. No entanto, as universidades preferiram manter os cursos específicos de ciências, iniciando uma carência em licenciatura de Ciências para o Ensino Fundamental. Compreende como licenciatura para o Ensino Fundamental de Ciências Físicas (compreendendo a Física, Química, Geologia e Astronomia) e as Ciências Biológicas (compreendendo a Biologia Geral, Zoologia, Botânica). No ensino para as série iniciais foi instituído o curso de Pedagogia ou os cursos Normais Superiores. O Ensino de Zoologia no 7° ano do Ensino Fundamental é lecionado por licenciados em Ciências Naturais e Biologia, na sua maior parte são os licenciados em Biologia (MAGALHÃES JUNIOR; OLIVEIRA 2005, p. 2), que não tem a formação nas áreas da Física e da Química para o 9° ano do Ensino Fundamental.

No PCN recomenda-se a formação inicial e a formação continuada junto à adequação de metodologias e novas tecnologias, em especial as de comunicação. Elementos que tem se construído principalmente a partir da ampliação das pós-graduações em Ensino de Ciências em especializações, mestrados e doutorados (NARDIR, 2007).

Ainda existe muito pouco sobre o trabalho em formação de professores para o Ensino de Biologia como a dissertação de Codenotti (1979) com a Zoologia em projeto de extensão social junto a licenciando. Ela mesma revela problemas que escreveu no estado do Paraná, ainda é vivo hoje no Brasil:

Há realmente na formação do universitário inúmeros problemas, e a desvinculação das disciplinas de conteúdo entre si e o seu divorcio das pedagógicas, parece-nos mais um dos motivos dos desnorteiamento de professores e alunos licenciandos na nossa área. Ao mesmo tempo que se reconhecem educadores, perdem de vista os fins reais da educação. (CODONETTI 1979, p. 12, 13).

As Diretrizes Nacionais para a Formação de Professores, vai se perder gradativamente a ideia de organicidade na formação docente, essa perda acentua-se na formação do professor especialista, sendo deixado para segundo plano, ao mesmo tempo em que proliferam licenciaturas independentes uma das outras, sem articulação prevista. Isso corresponde a interesses diversos dessa degradação da formação do professor em termos de currículo, com existência de nichos institucionais cristalizados, ou a falta de perspectivas quanto ao perfil formador do profissional professor, e a redução de custo (GATTI & BARRETO, 2009).

Desta forma a formação nesses cursos não foca a formação de professores, e a articulação com as instituições de educação básica, a extensão da universidade e os sistemas de ensino estadual e municipal. Assim o interesse pela formação de professores fica sendo uma questão marginal. Observou-se até em pesquisas que os planos de estágios não constavam em muitas propostas curriculares (CANDAU 1997; GATTI & BARRETTO, 2009).

A pista para compreensão desse fenômeno está relacionada que no período das décadas de 70 e 80 predominou o entendimento das teorias da reprodução. Isto colaborou com o fracasso escolar, considerando o professor como simples técnico e reprodutor de conhecimentos e/ou monitor de programas pré-elaborados. Sendo essa reprodução também de desigualdades sociais, não são militando suficientemente para a compreensão das mediações pelas quais se opera a produção das desigualdades nas práticas pedagógicas e docentes que ocorrem nas organizações escolares (PIMENTA, 2008).

Desta forma colaboraram na observação dos seguintes estágios de concepções sobre o professor de ciências em pesquisa educacionais: a) o professor é um obstáculo à inovação no ensino; b) as concepções prévias dos professores impedem ou dificultam a inovação no ensino; c) as condições de produção do trabalho pedagógico são os principais determinantes de suas características. Em todas essas concepções vêm melhorias da qualidade de ensino, no entanto há diferencias sobre a concepção de qualidade de ensino, professor, escola e inovação educacional (AMARAL, 2005). Mas nestes estudos parece não valorizar a práxis do professor nas soluções de problemas docentes e pedagógicos num contexto escolar mais amplo, estão focados ao Ensino somente, realizando uma analise pontual do trabalho docente.

A prática do professor esta relacionado ao modelo de profissional que segue. O que se percebe é que o modelo das teorias de reprodução (transmissão-recepção) num paradigma “aplicacionista” universitário dentro da “racionalidade técnica”, racionalidade esta que não reflete a realidade escolar que possui como objeto de trabalho os seres humanos (alunos). Sendo que a matéria prima do trabalho são as pessoas e não coisas, no qual interage e não manipula, baseando o trabalho profissional (não necessariamente científico) numa racionalidade socialização de saberes (PEREIRA, 1999; TARDIF, 2000). Nesta consciência há possibilidade de o docente compreender melhor a sua prática e melhorá-la.

No entanto a práxis (prática) docente pode ser considerada na atividade docente como expressão do saber docente e pedagógico e estes, ao mesmo tempo, fundamento e produto da atividade docente que acontece no contexto escolar, numa instituição social e historicamente construída, pretende-se comunicar que o trabalho docente é uma prática social. [...] “A ação docente é um trabalho” (AZZI, 2008, p. 45). Este trabalho docente é um processo de objetivação do professor. “Objetivação em si, quando representa apenas adaptações do mundo ou, objetivação para si, quando é criativo, quando é sintetizado” (AZZI, 2008, p.47).

Retomando a problemática de identidade sobre as representações profissionais, no qual é primordial, a interiorização da identidade como docente e nesta identidade como professor pesquisador em ensino, isto para equilibrar a tendência desses professores e se identificar com o pesquisador na área de referencia biológica.

A identidade não é um dado imutável. Nem externo, que possa ser adquirido. Mas é um processo de construção do sujeito historicamente situado. A profissão do professor, como as demais, emerge em dado contexto e momento históricos, como resposta a necessidade que estão postas pela sociedade, adquirindo estatuto de legalidade. (...) Uma identidade profissional se constrói, pois, a partir da significação social da profissão; revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovação porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade. (...) Assim como a partir de sua rede de relações com outros professores, nas escolas, nos sindicatos e em outros agrupamentos (PIMENTA, 2008, p. 18, 19).

Em relação à formação inicial dos cursos de Ciências Biológicas e Ciências Naturais que preparam professores para a Educação Básica, sendo que o primeiro possui um leque maior de profissões além da docência, mas o segundo é mais restrito. O primeiro pode lecionar para as séries finais do Ensino Fundamental e Médio e possuir também o ofício de biólogo profissional, mas o segundo é um curso especifico para as séries finais do Ensino Fundamental para lecionar as disciplinas nas Ciências Físicas e Biológicas, no entanto, é um curso mais rico para a docência no nível de Ensino Fundamental do que o curso de Ciências Biológicas.

O curso de Ciências Naturais não possui diretrizes de curso, isto o limita somente na docência, mas esta docência (de forma geral nas licenciaturas) é percebida com desvalorização referente ao campo de preparo profissional na área de referencia (como consultoria científica em uma Ciência) para a formação de docentes para a escola básica, não oportunizando possibilidades profissionais mais diversificadas.

Isto corrobora por várias razões, uma delas é a desarticulação licenciatura-escola-secretárias de educação básica, acabando perpetuando problemas e isolamentos institucionais num serviço público para o bem comum (GATTI & BARRETTO, 2009). Não possibilitando ascensão econômica, profissional e social na docência do Ensino Básico.

 

PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Pesquisa de abordagem qualitativa com aplicação de procedimentos quantitativos e qualitativos. Tipo da pesquisa é de metodologia mista com técnicas de coleta de dados quantitativos e qualitativos (FACHIN, 2006).

Os sujeitos da pesquisa são professores em serviço de uma turma de segunda licenciatura em ciências biológicas de um município do interior do Estado do Amazonas. São 18 professores.

As técnicas de coleta de dados são questionários estruturados com perguntas fechadas e abertas para todos os sujeitos (FACHIN, 2006), com análise quantitativa em porcentagem absoluta e com análise qualitativa das questões abertas em analise de conteúdo (BARDIN, 2009). O questionário possuiu quarenta questões fechas, abertas e aberta-fechadas (apêndice A).

Serão escolhidos dois professores para fazer entrevista com a técnica história de vida (VERAS, 2010; SPINDOLA & SANTOS, 2003) que serão registradas por meio de gravação de áudio, descrição e analise qualitativa. Os critérios de escolhas destes professores são: a) serem estudantes do Parfor 2º licenciatura em Ciências Biológicas; b) estarem lecionando a disciplina escolar de Ciências/Biologia; c) possuírem mais de cinco anos de experiência em lecionar a disciplina de Ciências/Biologia.

O método foi depois da seleção dos candidatos à entrevista, foi separado a uma sala em reservado, em que se fizeram perguntas abertas sobre a vida escolar e suas experiências enquanto estudante desde o Ensino Básico até o Ensino Superior. Depois se perguntou as dificuldades relacionadas entre essas experiências e a nova experiência de se estudar no PARFOR, segunda licenciatura.

Após será realizado a triangulação das duas fontes de dados para analise qualitativa indutiva em conjunto para verificação das dificuldades dos licenciandos do Parfor.

Procura-se realizar esta pesquisa nos municípios com o curso de segunda licenciatura em Ciências Biológicas no ano de inicio em 2010 de uma Instituição Pública de Ensino Superior: Eirunepé, Itacoatiara, Iranduba e Coari.

Estes munícios estão finalizando o curso, assim, possuem uma visão formada do processo de formação de professores para esta licenciatura. Os resultados parciais são do município de Eirunepé.

 

RESULTADOS PARCIAIS

Realizou o questionário o total de dezessete estudantes de uma turma inicial de quarenta alunos.

Dados pessoais dos licenciados PARFOR.

Maioria do sexo feminino, faixa etária de 30 a 40 anos, maioria solteiros, alguns casados, normalmente de dois ou quatro filhos, moram na zona urbana da cidade e  moram próximos a escola.

Informações profissionais gerais dos licenciandos PARFOR

A maioria trabalha apenas um turno e não trabalham fora da educação, mas todos dizem trabalhar com outras funções na escola, contudo apenas um aluno respondeu a função, orientador.

A maior parte é professor do município com o rendimento salarial de professor na média de um a três salários, apenas quatro alunos responderam que possuem outra renda na faixa de um a dois salários.

O rendimento familiar total varia de um a três ou três a seis salários.

A maioria atua como professor a mais de seis anos sendo que três alunos com bastante experiência na faixa de mais de dezessete anos de profissão. Quase todos são formados com primeira graduação em Normal Superior, sendo três em ciências naturais, um em Educação Física e outro em Ciências Políticas, apenas um possui outra graduação (normal superior).

A maioria não possui pós-graduação, apenas quatro alunos possuem nas áreas Educação a Distancia/Gestão Educacional/Educação Física e Nutrição/Orientação Pedagógica.

Quase todos atuam no Ensino Fundamental, séries iniciais.

 

Informações profissionais escolares dos licenciandos PARFOR

Alguns trabalham nas séries finais do ens. Fundamental com mais de três anos de experiência e a outra metade não trabalha com as séries finais.

A maioria não trabalha no Ensino Médio, a questão 3.3 ninguém respondeu.

Atualmente a maioria trabalha com qualquer disciplina e possuem preferências variadas para atuar destacando ciências naturais, biologia e  português.

 

Dados relacionados a dificuldades do processo de ensino-aprendizagem

A maioria disse que esta cursando ciências biológicas por interesse e identificação na área. As principais dificuldades como professor de biologia foram na preparação das aulas, falta de recursos, utilização dos materiais didáticos e o fato de não trabalhar como professor de ciências/biologia.

A maioria disse que não teve dificuldades quando cursaram o Ensino Básico. Mas a dificuldade no primeiro curso do Ensino Superior foi conciliar trabalho com os estudos. A principal dificuldade encontrada nos procedimentos de trabalho no curso com os gestores e secretarias foi à liberação do trabalho, mas metade disse que não encontraram dificuldades.

A falta de comunicação da coordenação do curso do Parfor e estes alunos foram apontados como uma dificuldade na administração nos procedimentos do trabalho no curso e a falta de uma sede também é apontada como sugestões para melhoria do curso.

Quase todos disseram também que o curso preparou e capacitou para a profissão de professor de biologia pela qualidade dos profissionais do curso houve uma capacitação.

Maioria deixou como recomendação o curso para a formação de professores para aqueles não tiveram contato com a sala de aula, pois no curso adquiriram mais conhecimentos e a possibilidade de formar mais professores de biologia.

 

DISCUSSÃO

Claramente o perfil dos estudantes de Eirunepé são professoras de Educação Infantil que buscam ascender no magistério por meio da promoção para outro nível de ensino, que são as séries finais do Ensino Fundamental e para o Ensino Médio.

A razão pode está relacionado com a remuneração, pois normalmente o governo do Estado que são responsáveis pelas séries finais do Ensino Fundamental (colaboram) e principalmente com o Ensino Médio remuneram melhor (DEMO, 2009).

Este curso de segunda licenciatura indica uma realidade que primeiro os professores são formados em Normal Superior ou Pedagogia, trabalhando com Educação Infantil, e estes professores são aproveitados para ministrarem todas as disciplinas em qualquer nível de ensino na Educação Básica. Por esta razão, alguns já trabalham e outros se preparam para trabalhar.

A formação de segunda licenciatura foi preferida a o curso de pós-graduação, pois é possível que estes cursos sejam escassos, e por EAD, a comunicabilidade é difícil no interior do Amazonas (precária tanto o serviço de telefone, e maior dificuldade por internet). Os cursos presenciais são poucos.

O curso foi escolhido por preferencias pessoais, pois não tiveram problemas com esta disciplina no Ensino Básico. Contudo, como professores, apresentam dificuldade na prática docente por falta de materiais didáticos e espaços. Problemas semelhantes na capital ocorrem (SANTOS & FACHIN-TÉRAN, 2011).

O curso foi apresentado como principal problema a falta de comunicação com o coordenador de curso Parfor, e o repasse de informações, processos e entrega de documentos. Recomendam um coordenador local para resolver estes problemas.

Outra situação é o ambiente físico fixo e próprio para o Parfor, neste caso desta turma, funcionava em uma escola pública e não em um ambiente da Instituição de Ensino Superior. Em razão de deslocamento para escolas diferentes por demandas do calendário escolar, ou por estrutura para realização de atividade inerente ao curso, tais como aulas práticas e de laboratório.

A estrutura do Parfor é independente. Na mesma cidade funcionava o Parfor por outra Instituição Pública de Ensino Superior, com a estrutura física melhor que das escolas, porém não havia articulação para poder realizar as atividades acadêmicas.

 

CONSIDERAÇÕES PARCIAIS

É importante que estes professores estudem em um ambiente universitário que prime pelo ensino-pesquisa-extensão. Ambientes físicos adequados com laboratórios, comunicação (internet) apropriados para desenvolvimento de processo de ensino de biologia com coordenação local com autonomia de decisão para auxiliar estes estudantes.

Estes professores terão o título de licenciados em Biologia, contudo a carga horária não privilegiará a formação do biólogo para ser registrado em Conselho Profissional. Contudo, são os pioneiros com o curso de biologia que além do ofício docente, podem abrir portas para pesquisas biológicas.

A formação de professores de Ciências não está em discussão e reforma, por esta razão acumula problemas identitários profissionais e de legislação para quase toda a região norte. É necessário um reconhecimento das caraterísticas amazônicas para formação dos cursos de Ciências com pesquisa em Ensino, para poder construir conhecimento e avançar nas soluções da educação do interior.

Acreditamos que com a triangulação coma história de vida que ainda não foi feita, junto aos outros dados dos outros municípios pode-se forma um quadro consistente da realidade do estado do Amazonas sobre a formação do Parfor em Ciências Biológicas.

 

REFERENCIAS

AMARAL. I. A. Tendências atuais das pesquisas no ensino de Ciências. In: PETROCCI, R. M. I. (org.) Formar: encontros e trajetórias com professores de ciências. São Paulo: Escrituras Editora, 2005.

AZZI, S. Trabalho docente: autonomia didática e construção do saber pedagógico. In: PIMENTA, S. G. (org.) Saberes pedagógicos e atividade docente. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2008.

BARDIN, L. Análise de conteúdo. 4.ed. Lisboa: Edições 70, 2009.

BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa  n°. 09 de julho de 2009. Institui o Plano Nacional da Educação Básica. Diário Oficial da União. Impresso no dia 01 jul. 2009.

CANDAU, V. M. F. Universidade e formação de professores: que rumos tomar?. In: CANDAU,. V. M. F. (org.) Magistério: construção cotidiana. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.

CODENOTTI, T. L. Projeto de ensino de zoologia com extensão sócio-educacional. Dissertação de Mestrado. UNICAMP, 1979

DEMO, P. Aprendizagem no Brasil: ainda muito por fazer. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2009.

FACHIN, O. Fundamentos da metodologia. 5.ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

GATTI, B. A.; BARRETO, E. S. S. (Org.). Professores do Brasil: impasses e desafios. Brasília: UNESCO, 2009.

LIBÂNEO, J. C.; OLIVEIRA, J. F.; TOSCHI, M. S. Educação escolar: políticas, estruturas e organização. – 5.ed. – São Paulo: Cortez,  2007.

MAGALHÃES-JUNIOR, C. A. O.; OLIVEIRA, M. P. P. A formação dos professores de ciências para o ensino fundamental. Simpósio Nacional de Ensino de Física, 16, Anais ..., 2005. Disponível em < http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xvi/cd/resumos/T0602-1.pdf>. Acessado em 10. Jun. 2010.

NADIR, R. A área de Ensino de Ciências no Brasil: fatores que determinam sua constituição e suas características segundo pesquisadores brasileiros. Em NADIR, R. (org). A pesquisa em ensino de ciências no Brasil: alguns recortes. – São Paulo: Editora Escrituras, 2007.

PEREIRA, J. E. D. As licenciaturas e as novas políticas educacionais para a formação docente. Revista Educação & Sociedade. Ano XX, n.68, Dezembro, 1999, pp. 109-125.

PIMENTA, S. G. Formação de professores: identidade e saberes da docência. In: PIMENTA, S. G. (org.) Saberes pedagógicos e atividade docente. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2008.

SANTOS, S. C. S.; FACHÍN-TÉRAN, A. Conhecimentos teóricos para a docência no ensino de Zoologia em licenciatura de Ciências em Manaus-AM. ENCONTRO DE PESQUISA EDUCACIONAL NORTE NORDESTE, 20. Manaus-AM. Anais... 23 a 36 de ago. 2011.

SPINDOLA, T.; SANTOS, R. S. Trabalhando com a história de vida: percalços de uma pesquisa(dora?). Revista Escola de Enfermagem USP. v.37, n.2, 2003.

TARDIF, L. Saberes profissionais de professores e conhecimento universitário. Revista Brasileira de Educação. n.13, 2000.

VERAS, E. História de vida: um método para as ciências sociais? Tape Moebio. n.39, Santiago, 2010.

 

Apêndice A

Questionário

1 Dados pessoais

1.1 Sexo: (  ) M (   ) F; 1.2 Idade: _____;

1.3 Estado Civil: (   ) solteiro (   ) casado (   ) divorciado (   ) amigado (   ) viúvo.

1.4 Filhos: (   ) não possui (   ) 1 (   ) 2  (   ) 3 (   ) 4 ou mais.

1.5 Você mora nesta cidade: (   ) sim (  ) não;

1.6 Você mora na: (   ) zona urbana (   ) zona rural (   ) zona ribeirinha.

1.7 Você mora próximo à escola que trabalha: (   ) sim (   ) não.

1.8 Quanto tempo você demora para chegar na escola: (  ) entre 10 minutos a 30 minutos; (   ) entre 30 minutos a 1 hora; (  ) entre 1 hora a 2 horas; (   ) mais de duas horas.

1.9 Quanto tempo você demora para chegar em casa depois da escola: (  ) entre 10 minutos a 30 minutos; (   ) entre 30 minutos a 1 hora; (  ) entre 1 hora a 2 horas; (   ) mais de duas horas.

 

2 Dados de formação e profissionais gerais

2.1 Turnos de trabalho como professor: (   ) 1 (   ) 2 (   ) 3 [turno de 20 horas/semana];

2.2 Turnos de trabalho fora da educação (  ) 1 (   ) 2 [turno de 20 a 25 horas/semana];

2.3 Você trabalha com outra função na escola? (   ) sim (   ) não. Qual função caso sim: _____________________.

2.4 Secretária de Educação: (   ) Estadual (   ) Municipal.

2.5 Qual é o seu rendimento salarial mensal somente como professor? (  ) 1 salário mínimo (  ) 1 a 2 salários mínimos (   ) 2 a 3 salários mínimos (   ) 3 a 4 salários mínimos (  ) mais de 4 salários mínimos.

2.6 Caso você tenha outra fonte de renda individual. Qual é o seu rendimento salarial mensal nesta modalidade de trabalho? (  ) 1 salário mínimo (  ) 1 a 2 salários mínimos (   ) 2 a 3 salários mínimos (   ) 3 a 4 salários mínimos (  ) mais de 4 salários mínimos.

2.7 Qual é o rendimento salarial familiar total mensal? (  ) 1 salário mínimo (  ) 1 a 2 salários mínimos (   ) 2 a 3 salários mínimos (   ) 3 a 4 salários mínimos (  ) 4 a 6 salários mínimos (  ) mais de 6 salários mínimos.

2.8 Quanto tempo você trabalha como professor? __________________________

2.9 Qual a sua primeira graduação: ____________________________________________

2.10 Você possui outra graduação? (  ) sim (   ) não. Qual caso sim: ______________________. Qual foi a instituição? ___________________________________.

2.11 Possui pós-graduação: (   ) sim (   ) não. Qual caso sim: ____________________________. Qual foi a instituição? ____________________________.

2.12 Qual(is) é/são o(s) nível(is) de ensino que trabalha: (   ) educação infantil (   ) ensino fundamental séries iniciais (    ) ensino fundamental series finais(   ) ensino médio (   ) ensino superior.

 

3 Dados profissionais escolares

3.1 Qual(is) é/são a(s) disciplina(s) que trabalha no caso do ensino fundamental séries finais? Quanto tempo (anos) ministra em cada disciplina? _____________________________________________________________________________

3.2 Qual(is) é/são a(s) disciplina(s) que trabalha no caso do ensino médio? Quanto tempo (anos) ministra em cada disciplina? _____________________________________________________________________________

3.3 Quais são as disciplinas que trabalha no caso do ensino superior séries finais? Quanto tempo (anos) ministra cada disciplina? _____________________________________________________________________________

3.4 Qual(is) é/são a(s) disciplina(s) que atualmente você trabalha?

_____________________________________________________________________________

3.5 Qual(is) é/são a(s) disciplina(s) que você tem preferencia em trabalhar? ________________________________________________

 

4 Dados relacionados a dificuldades do processo de ensino-aprendizagem

4.1 Você nasceu neste município? (   ) sim (   ) não. Qual município caso não ___________________________

4.2 Você mora neste município há quanto tempo? ___________________________________

4.3 Quanto tempo você é professor(a) neste município? ______________________________

4.4 Caso você não seja ainda professor de Ciências nas Séries Finais do Ensino Fundamental ou Ensino Médio, você pretende trabalhar como professor de Biologia ou Ciências?

(   ) sim (  ) não. Por quê?

________________________________________________________________________________

4.5 Por que você cursou esta licenciatura de Ciências Biológicas e não outros cursos?

4.6 Caso você lecione Ciências nas séries finais do Ensino Fundamental ou no ensino Médio, neste momento profissional na educação, quais são as suas principais dificuldades no seu trabalho de professor de Ciências/Biologia?

4.7 Quando você estudou no ensino básico quais foram as principais dificuldades encontradas para concluir os estudos?

4.8 Quando você estudou no primeiro curso de ensino superior quais foram as principais dificuldades encontradas para concluir os estudos?

4.9 Quais foram as principais dificuldades encontradas nos procedimentos de trabalho no curso dos professores do Parfor durante o curso?

4.10 Quais foram as principais dificuldades encontradas nos procedimentos de trabalho no curso dos gestores e secretarias de educação que você trabalha durante a licenciatura?

4.11 Quais foram as principais dificuldades encontradas nos procedimentos de trabalho no curso por parte da administração do Parfor durante a licenciatura?

4.12 Com a sua experiência em sala de aula, para você o curso lhe preparou e capacitou para a profissão de professor de Biologia? (   ) sim (   ) não. Por quê?

4.13 Caso você não fosse professor, você recomendaria este curso para a formação de professores para aqueles não tiveram contato com a sala de aula? (   ) sim (   ) não. Por quê?

4.14 Quais são as suas sugestões para melhorar o curso de 2º licenciatura em Ciências Biológicas?



[1] Especialista em Educação Ambiental pela Universidade Estadual do Ceará. Biólogo pela Universidade Federal do Amazonas. Formador do PARFOR/UFAM. E-mail: ruyfrog@gmail.com

[2] Mestre em Ensino de Ciências pela Universidade do Estado do Amazonas. Biólogo pela Universidade Federal do Amazonas. Professor do Departamento de Biologia da Universidade do Estado do Amazonas. E-mail: seiffertsaulo@gmail.com