REFLEXÕES DO 2° ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE CIÊNCIAS: POSSIBILIDADES E AVANÇOS CURRICULARES

REFLEXÕES DO 2° ENCONTRO NACIONAL DOS ESTUDANTES DE CIÊNCIAS: POSSIBILIDADES E AVANÇOS CURRICULARES

 

Reflections of the second National Meeting of Students of Sciences: Progress and Possibilities curriculum

 

Saulo Cézar Seiffert Santos[1]

 

Resumo: A licenciatura em Ciências não possui Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que normatizem a formação do professor de Ciências para o Ensino Fundamental no Brasil, sendo o nível de ensino crítico para formação de saberes e conceitos para formação do cidadão e para continuação de estudos no Ensino Médio nos componentes curriculares de Biologia, Física e Química. Com intuito de realizar discussões e reflexões sobre a formação de professores de Ciências para cursos de Ciências realizou-se o 2º Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Naturais na Universidade Federal do Amazonas em 2012. Com objetivo de apresentar os resultados desse encontro e sua problemática sobre a formação de professores de Ciências do Ensino Básico. Neste encontro ocorreram mais 250 participações de onze institutos de ensino superior de diferentes regiões do Brasil, em que se decidiu sobre algumas definições do perfil do curso, direcionamento para estudos da construção das DCN e outras disposições.

Palavras-chave: licenciatura de Ciências Naturais. Formação de professores. Enecina.

 

Abstract: A degree in Science has no National Curriculum Guidelines (NCG) that normatizem teacher education Science for Elementary Education in Brazil, with the level of education critical to the formation of knowledge and concepts for training of citizens and continuing education in High School in the curricular components of Biology, Physics and Chemistry. In order to conduct discussions and reflections on the training of science teachers for science courses held the 2nd National Meeting of Students of Natural Sciences at the Federal University of Amazonas in 2012. In order to present the results of this meeting and its problems on the training of Science teachers of basic education. This meeting took place over 250 shares of eleven higher education institutions from different regions of Brazil, where it was decided on some settings of the profile of the course, directing studies for the construction of NCG and other provisions.

Keywords: graduate of Natural Sciences. Teacher training. Enecina.

 

Resumen: Un grado en la ciencia no tiene Lineamientos Curriculares Nacionales (LCN) que normatizem Ciencias formación del profesorado de Educación Primaria en Brasil, con el nivel de la educación fundamental para la formación de conocimientos y conceptos para la formación de los ciudadanos y la educación permanente en la escuela secundaria en los componentes curriculares de Biología, Física y Química. Con el fin de llevar a cabo discusiones y reflexiones sobre la formación de profesores de ciencias para los cursos de ciencias, celebrada el 2 º Encuentro Nacional de Estudiantes de Ciencias Naturales de la Universidad Federal de Amazonas en 2012. Con el fin de presentar los resultados de esta reunión y sus problemas en la formación de profesores de ciencias de la educación básica. Esta reunión se llevó a cabo más de 250 acciones de once instituciones de educación superior de diferentes regiones de Brasil, donde se decidió en algunas configuraciones del perfil del curso, la dirección de los estudios para la construcción de LCN y otras disposiciones.

Palabras-clave: Licenciatura en Ciencias Naturales. La formación del profesorado. Enecina.

 

Arquivo em PDF: 2013_SeiffertSantos_Secam Reflexoes do 2 Enecina.pdf (259080)

 

Introdução

O Brasil tem trilhado a busca da educação com qualidade e tem melhorado no desempenho internacional de ensino, mas ainda está muito abaixo dos países considerados desenvolvidos. Por exemplo, no PISA 2012[2] ficou numa posição de 53° lugar de setenta países signatários da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e penúltimo lugar de quarenta países na avaliação Economist Intelligence Unit (EIU)[3], em ambos os casos aponta-se a necessidade de valorização da cultura de boa educação e de formação de professores.

Os professores brasileiros eram formados de acordo com as possíveis disciplinas escolares que poderiam assumir, haveria o curso de formação para a disciplina específica. Porém, uma lacuna ocorreu nas mudanças de legislação do ensino, em que o desmembramento da constituição do Ensino Fundamental e Ensino Médio, no qual a disciplina de Estudos Sociais derivou nos cursos de História, Geografia, Sociologia e Filosofia em ambos os níveis (Fundamental e Médio). Este desmembramento, no entanto, não ocorreu no Ensino Fundamental com as Ciências Naturais ou Ciências[4], mantendo como única disciplina (componente curricular), somente ocorrendo o desmembramento no Ensino Médio (Biologia, Física e Química), sem a presença das Geociências e Astronomia (BIZZO, 2009).

Mesmo com a legislação brasileira tendo avançado neste sentido, a tendência de mudança nos cursos de licenciatura em adequar-se para formar o professor com o curso que o caracterize como docente e não somente como especialista em uma área científica[5], mas ainda continuou com muitas disciplinas na área específica, em especial nos cursos de Ciências Naturais (com prevalência de disciplinas ligadas as Ciências Extas ou Ciências Biológicas) formando um profissional com sensíveis dificuldades de se identificar como professor, mas como profissional da área específica (GATTI & BARRETTO, 2009).

Assim, o 2° Encontro Nacional dos Estudantes de Ciências Naturais (2° Enecina), ocupou-se discutir, a partir da organização dos estudantes deste curso, e conhecer a opinião dos estudantes e o progresso compartilhado pelos docentes e pesquisadores envolvidos com a problemática da formação no curso de Licenciatura em Ciências Naturais (LCN).

O encontro foi organizado em três mesas redondas, seis grupos de trabalho e duas plenárias, sendo que os documentos[6] foram classificados como atas informacionais (mesas redondas), atas de discussão (grupos de trabalho) e atas deliberativas (plenárias).

O presente trabalho teve como objetivo relatar as experiências e resultados das discussões sobre o curso de formação docente de Ciências a partir do evento dirigido por acadêmicos de Ciências Naturais.

            Este trabalho foi organizado a partir da análise qualitativa (SEVERINO, 2007) dos resultados das atas das atividades supramencionadas e por meio de pesquisa bibliográfica dos eventos anteriores que discutiam o currículo nacional de licenciatura em Ciências.

 

1. Contexto curricular em licenciaturas de Ciências para o 2° Enecina

A proposta curricular está entendido neste trabalho como conjunto de valores, saberes, conhecimentos e normas organizados para a formação do sujeito profissional, uma vez que se trata de curso superior. O currículo de licenciatura de Ciências tem sido algo de discussão em eventos anteriores para a realidade brasileira no qual apresentamos alguns desses eventos.

Imbernon et al (2011) apresenta o levantamento histórico a partir do 1º Seminário Brasileiro de Integração das Licenciaturas em Ciências Naturais, realizado nos dias 08 à 10 de Dezembro de 2008, na Faculdade UnB – Planaltina, foi proposto quatro Grupos de Trabalho:

·                  Grupo 1 – Diretrizes para o curso de Licenciatura em Ciências Naturais - LCN

·                  Grupo 2 – Formas de avaliação do curso

·                  Grupo 3 – Perfil do futuro professor de Ciências Naturais – Propostas

·                  Grupo 4 – Possibilidades de atuação do licenciando em ciências naturais.

De todos os grupos de trabalho somente o Grupo 1 não conseguiu definir pontos de encaminhamento. Um dos fatores que contribuíram para esse desfecho foi o fato de que alguns cursos apresentam habilitações para atuação no Ensino Médio (Biologia, Química, Física, Matemática). O fato de o grupo desconhecer a existência ou não de uma legislação ou diretriz específica do Conselho Nacional de Educação para a aposição de habilitação nos cursos nos impediu de conclusão. Porém, esse grupo foi concordante em indicar a necessidade de ampliar e fomentar a discussão sobre Diretrizes Curriculares para Licenciatura em Ciências Naturais, aceito na plenária de apresentação. Outro fator que foi bastante significativo foi à constatação de que existiam mais cursos que não estavam presentes, por vários motivos, e que deveriam ser ouvidos também.

O Grupo 3 definiu o Perfil Profissional para o egresso do curso de LCN em:

 

Ser Educador; Visão Crítica, inovadora; Estímulo ao diálogo; Formação mais abrangente, qualitativa, com capacidade de dialogar c/ (sic) as diferentes disciplinas, sem ser um especialista; Olhar para/com o sujeito; Despertar a curiosidade; Capacidade de selecionar informações e transformá-las em conhecimento confiável e adequado a diferentes níveis de escolarização; Pensar na atividade pedagógica de forma investigativa (professor-pesquisador); Compromisso social; Capacidade de propiciar o debate aos estudantes em torno de questões sócio- científicas; Compreender as grandes idéias estruturadoras das áreas de Química, Física, Biologia, Astronomia e Geociências; Figura estratégica para promoção da Educação Ambiental; Autogestão do aprendizado; Sensibilizar-se pelas questões legais acerca de seu papel como professor e pelas questões da infância, adolescência; Propiciar aos alunos o desenvolvimento de atividades investigativas; Aplicação do conhecimento no cotidiano; Capaz de discutir a natureza, ambiente, sociedade, tecnologia; Trabalhar com atividades formais, não formais e informais. (Imbernon et al, 2011, p. 87-88).

 

Em 2010 foi realizado o 2º Seminário Brasileiro de Integração das Licenciaturas em Ciências São Paulo na EACH-USP nos dias 13 a 15 de outubro de 2010, sendo realizado em conjunto o 1° Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Naturais (1° Enecina) organizado pelo Centro Acadêmico de LCN Mário Schöenberg (EACH-USP) que incorporou, além da reunião dos coordenadores/professores dos cursos, também os alunos que demonstraram interesse em discutir a construção de diretrizes curriculares, perfil profissional, entre outros temas. Forram constituídos quatro Grupos de Trabalhos.

Para o Grupo 1 – Diretrizes para o curso de Licenciatura em Ciências Naturais – foram colocadas as seguintes questões: “Quais seriam os grandes temas? Seriam aqueles propostos pelos PCNs[7]?” Para as questões de debate o grupo apresentou os seguintes pontos, a partir da discussão:

1º - necessidade de se trabalhar as disciplinas pedagógicas desde o início do curso;

2º - necessidade de uma base sólida nas áreas de Química, Física, Biologia e Geociências (Ciências da Terra, Ciências do Universo, Ciências da Vida, Física e Química);

3º - o trabalho por meio de eixos temáticos pode propiciar interdisciplinaridade;

4º - os PCN’s seriam a referência para organização desses eixos temáticos.

O Grupo 2 – Forma de avaliação dos cursos, discutiu as formas existentes de avaliação dos cursos pelo Ministério da Educação – MEC e como resultados dos debates sugeriu um acréscimo aos itens já existentes neste sistema.

O Grupo 3 – Perfil do futuro professor de Ciências Naturais – esse grupo não foi formado, pois a plenária considerou que a apresentação prévia dos debates de 2008 foi um ponto que se julgou já bem definida, cabendo discutir de forma mais abrangente o item referente à atuação profissional.

Finalmente, o Grupo 4 – Possibilidades de atuação do licenciando em Ciências Naturais, estabeleceu um levantamento de cada curso, a partir do qual os próprios alunos apresentaram as possibilidades que cada região pode oferecer aos alunos egressos.

Sendo que uma das metas foi continuar as discussão por meio do 2° Enecina na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) no ano de 2012.

Atualmente o curso de LCN é predominantemente público ofertado pelas IES federais, no qual a maior parte habilita o egresso para o magistério do Ensino Fundamental nas séries finais, porém alguns também agregam uma disciplina do Ensino Médio (Biologia, Física ou Química) no qual muitas Secretárias de Educação não acolhem por considerar que não possuem amparo legal para esse nível, neste meio ainda há possibilidade de buscarem prosseguimento em pesquisas em uma área científica, contudo ocorre situações que os editais de concurso público para professor de carreira não contemplam na formação inicial o curso de LCN (em espacial em IES não federais).

 

2. Apresentação Das Discussões

 

2.1 Caracterização do 2° Enecina

O tema do 2° Enecina[8] foi “Identificando o profissional de Ciências Naturais: possibilidades e desafios”. Este evento foi realizado pelo Centro Acadêmico de Ciências Naturais da Universidade Federal do Amazonas (Cacien/UFAM) no período de 1 a 3 de outubro de 2012, na UFAM, Manaus-Amazonas-Brasil.

O evento contou com a colaboração dos coordenadores docentes MSc. Saulo C. Seiffert Santos e MSc. Irlane Oliveira Maia do Departamento de Biologia (UFAM), e foi financiado pelo programa Parev-FAPEAM[9] e Parec[10]-UFAM.

Com o objetivo de provocar reflexões acerca da criação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN)[11] do curso de LCN, em âmbito nacional, foi proposto  a partir deste evento: a) Incentivar a organização dos Centros Acadêmicos dos cursos de Ciências nas Instituições de Ensino Superior (IES) para a construção das DCNs do Curso de Ciências da Natureza; b) Elaboração das propostas para o reconhecimento do Curso de Ciências da Natureza, visando à criação do Conselho Regional de Ciências Naturais; c) Busca-se interagir com o seguinte público: Graduandos e professores dos cursos de Ciências Naturais das IES, pós-graduandos da área em Ensino de Ciências.

As participações entre estudantes, professores e coordenadores de cursos de LCN envolveram onze instituições de ensino superior representando todas as regiões do país. As instituições foram: UFAM, IFAM, UEA, UFPA, UFPE, UEPE, IFMA; UnB, USP, UFRJ, UFMS.

Houve aproximadamente 250 participações.

 

2.2 Mesas-Redondas

As mesas-redondas ocorreram para atualizar as informações de outros eventos e decisões sobre as temáticas desenvolvidas para auxiliar nas discursões dos grupos de trabalhos.

A primeira mesa-redonda teve como título ‘Situação curricular dos cursos de Ciências Naturais’.

A Dra. Rozana Galvão (UFAM) expôs a história do curso de Ciências Naturais da UFAM, buscou evidenciar a qualidade da formação profissional que se apoia em discutir e desenvolver, por meio da prática pedagógica, a interação interdisciplinar dos conteúdos específicos das Ciências com a prática de ensino e reflexão pedagógica crítica.

A Dra. Eliane Guimarães (UnB) apresentou o desenvolvimento histórico dos eventos de discussão das LCN e avançou para a identificação dos aspectos que reiteram a necessidade de formulação de DCNs para LCN.

O Dr. Eduardo Terrazzan (UFSM) fez uma síntese sobre a organização do Conselho Nacional de Educação (CNE) e da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), a especificidade na legislação que possa sugerir a formação de DCNs específicas para um curso de licenciatura com regulação diferenciada da legislação geral. Podendo a partir desta situação construir uma argumentação que orientasse a causa para as LCN. Mas qual seria essa argumentação?

A segunda mesa-redonda com o título ‘Situação profissional do estudante de Ciências Naturais’.

Dr. Edinbergh Caldas (UFAM) iniciou apresentando o CRBio[12] 6° região, em que estão os estados da região norte do Brasil. Para os egressos do curso de Biologia a legislação do conselho autoriza a docência na educação básica (anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio). Muitos estudantes de Ciências Naturais tentam ser reconhecidos como biólogos, mas na análise de histórico escolar são descaracterizados.

A Dra. Cynthia Bisinoto (UnB) inicia sua participação afirmando que as possibilidades profissionais para o egresso dos LCN não estão fechadas, mesmo porque quando a legislação diz que um profissional pode atuar em um campo, e não diz que outros não podem, então está aberto. Esta caminhada não é linear, mas se constroem com parceria das instituições envolvidas com essas possibilidades. Deve-se fugir da tendência do bacharelismo nesta área, a licenciatura é adequada para muitas possibilidades.

A Dra. Marta Pernambuco (UFRGN) faz sua intervenção deixando claro que as possibilidades profissionais são variadas. Este egresso não está sendo formado para ser biólogo como possibilidade, mas tem sua formação sustentada nas cinco áreas (Astronomia, Biologia, Física, Geociências e Química). A professora problematiza, onde estão representantes destas áreas para acrescentar nesta discussão? Não pode focar em uma área, pois há cursos que os represente. O curso de Ciências Naturais tem uma raiz que o possibilita ter uma visão e oportunidade específica para esta formação, mas não se fecha a uma destas áreas.

A terceira mesa redonda com o título ‘Situações jurídicas da construção da DCNs para LCN’, foi apresentado pelo professor da UFAM e advogado João Medeiros da Silva.

A possibilidade de propor uma justificativa para elaboração das DCNs para cursos de LCN passa por uma argumentação forte que insira uma novidade nesta área que estabeleça um posicionamento profissional para este grupo. Uma proposta é sugerir a este profissional como docente, que justifica a sua profissão a especificidade do amparo da competência de desenvolvimento cognitivo e maturidade dos seus estudantes, não o desenvolvendo somente pelo conhecimento curricular, para o Ensino Fundamental.

Nestas três mesas foram evidente a busca de valorização do curso de formação de professores para a disciplina escolar de Ciências em que não feche a oportunidade profissional somente em sala de aula (escola), mas que não a desmereça. Mostram-se a necessidade de uma formação abrangente nas cinco áreas (Astronomia, Biologia, Física, Química e Geociências), porém sem deixar de relacionar com saberes ligados ao saber ensinar e na capacidade de propiciar aprendizagem ao estudante numa relação interdisciplinar e contextualizada. Contudo, a busca de diretrizes nacionais para o curso que justifique essa especificidade diante de outros cursos não é de fácil justificação, devido à falta de representação profissional organizada (como uma associação profissional) e que defenda e evidencia a necessidade de regras próprias para formação do professor de Ciências com ênfase para o Ensino Fundamental, ou um estudo em todos os cursos de Ciências Naturais que mostre a unidade de características necessária para a formação desse acadêmico no Brasil (mas há muitas diferenças nos PPC).

 

2.3 Grupos de Trabalhos (GTs)

A proposta de discussão em GTs ocorreu nas seguintes temáticas:

1.     Formação da Associação de profissionais formados em Ciências Naturais;

2.     Formação do Conselho Federal de profissionais em Ciências Naturais;

3.     Estabelecer a sugestão de DCNs para cursos de Ciências Naturais;

4.     Atualização do levantamento dos cursos de LCN no Brasil e seus respectivos Projetos Políticos Pedagógicos (PPP);

5.     Atualização do levantamento dos currículo-grades tanto no que se refere aos conteúdos básicos quanto às especificidades regionais;

6.     Integração dos licenciados em LCN nas Secretarias de Educação nos níveis de Ensino Fundamental e Médio.

Nos GTs não ocorreu uma unidade nos encaminhamentos, havendo até mesmo contradição em alguns momentos. Foi percebido que houve estudantes que não participaram das atividades informativas e que participaram dos GTs. Mesmo assim, muitos estudantes mantiveram decisão manter determinados encaminhamentos por entender como necessário para uma nova discussão ou por não concordar com os posicionamentos anteriores.

A partir das Atas destes GTs houve determinados avanços nas decisões do ponto de vista dos estudantes.

Os GTs 1 e 2 foram realizados em conjunto e foi deliberado que não era necessário formar uma associação profissional de professores de Ciências ou um  conselho profissional. Foi posto a intenção dos estudantes de buscar uma matriz temática comum aos cursos de LCN e a partir desta reforçar a identidade profissional na área de Ciências Naturais, de forma a buscar um equilíbrio entre os conteúdos científicos das cinco áreas.

No GT 3 foi apontada a necessidade de procurar conhecer os currículos dos cursos brasileiros para saber as especificidades e diversidade de propostas, porém não houve consenso em restringir os cursos para as séries finais do Ensino Fundamental, mas inclusão do Ensino Médio.

No GT 4 discutiu-se a construção do perfil a partir do levantamento dos cursos de LCN, foi destacado a necessidade de critério na contratação de professores com perfil condizente a concepção integrada e interdisciplinar que caracteriza os cursos de LCN. Nessa direção, existem universidades que estão se organizando de forma diferenciada (não por departamentos) e propiciando articulação entre os professores do curso.

No GT 5, relacionado ao levantamento das grades curriculares dos cursos de LCN, foi inserido a necessidade de um grupo comum de temáticas curriculares para os cursos, em que as demandas regionais e locais sejam flexivas, mas que seja rica nos conteúdos de Ciências e para a formação do docente.

No GT 6 que discutiu a interação das IES que têm curso de LCN com as Secretarias de Educação, o principal assunto foi o funcionamento dos estágios no curso de Ciências Naturais da UFAM e UnB. A necessidade de ser pesquisado o funcionamento do estágio nas diretrizes de formação docente junto às dificuldades encontrada pelos estudantes na comunidade escolar.

 

2.4 Plenárias

Houve duas atas deliberativas, uma dirigida pelos estudantes, em que reforçaram a importância do curso e deliberam em realizar o próximo Enecina em Brasília, na UnB do campus Planaltina, registrou a importância da criação de perfis em rede sociais, a comissão para criação de uma associação de discentes em curso de LCN e um estatuto para a mesma. Não foi designado tempo, mas foi decidido que seriam feitos pelos próprios estudantes, dirigido pelos representantes discentes da UnB-Planaltina.

No final do evento houve a última plenária para deliberação dos GTs em que foram acatadas todas as deliberações anteriores e dos GTs já supramencionado.

 

2.5 Resultados dos Pôsteres e Relatos de Experiências

Foi publicado edital para apresentação de pôsteres em Ensino de Ciências e Relato de Experiência em oito grupos temáticos em que foram apresentados vinte e um trabalhos aprovados de nove instituições (UFAM, IFAM, UEA, UFPA, UFPE, UEPE, IFMA, UnB e USP). Destas a UEA se destaca com seis trabalhos aprovados, seguido pela UFAM com quatro trabalhos, UEPE com três trabalhos (Enecina, 2012).

Os grupos temáticos foram: Processos Cognitivos e a Aprendizagem em Ensino de Ciências (hum trabalho); Uso de Espaços Não Formais, Divulgação Científica e Museus para ensinar Ciências (hum trabalho); Recursos Pedagógicos para o Ensino de Ciências (quatro trabalhos); Formação de Professores de Ciências (dois trabalhos);  Ensino de Geociências, Física e Matemática (dois trabalhos); Ensino de Biologia e Química (dois trabalhos); Relato de Experiência em Ensino de Ciências (cinco trabalhos); Educação Ambiental e o Ensino de Ciências (quatro trabalhos).

A temática de recursos pedagógicos para o ensino de ciências e educação ambiental foi a que mais publicou junto a relato de experiência, no entanto com subtemáticas diversas em educação ambiental. Houve o predomínio de trabalhos de IES da região norte.

 

2.6 Resultados dos Minicursos/Oficinas

Houve oito atividades de minicurso e oficinas que movimentaram aproximadamente cem participantes e instrutores de cinco universidades diferentes e representantes de matérias didáticos, em várias temáticas em ensino e ciências: mudanças climáticas, analise de dados de projetos de pesquisas para o ensino médio, diversidade e educação inclusiva, educação em ciências e saúde humana, docência universitária em ciências, espaços não formais e ensino de ciências, calculadoras em aulas de matemática e Metodologia de ensino Sangari.

 

3. Discussão

            Incialmente deve-se observa que Gatti e Barreto (2009) não realizam separação entre cursos de Biologia e Ciências devido à falta de documentos oficias que os distinga, pois, o curso que tem se aproximado para o perfil profissional que trabalhe como docente no Ensino Fundamental e Ensino Médio é o curso de Biologia em relação as conteúdos biológicos (BRASIL/CNE/CNE, 2001), contudo os PCN do Ensino Fundamental (BRASIL/PCN, 1998) orienta o equilíbrio entre conteúdos biológicos e as outras áreas de Astronomia, Física, Geociências e Química para formação de conhecimentos, habilidades, valores e atitudes.

O proposito de construir uma proposta de DCN para cursos de LCN para os separa do curso de Biologia não é uma tarefa fácil de ser realizado devido à necessidade de uma interação nacional entre os cursos existentes em relação às coordenações de cursos, Projeto Pedagógico de Curso (PPC), componentes curriculares e perfil profissional.

Apesar disso, por ser proposta para formação de professores, existem as situações que influenciam a construção dos cursos de LCN, entre elas há: o quadro de professores disponível para realização do curso, os departamentos relacionados para colaborarem na composição do curso em uma IES, a necessidade de professores locais para suprir necessidades abrangentes, a possibilidade destes acadêmicos colaborarem em pesquisas (em ensino ou científica) juntos aos docentes universitários da IES em que ingressaram. Mas Imbermon et al (2011) recomenda como distinção de outros cursos e diversidades institucionais deve-se concentrar os esforços na questão de trabalhar equitativamente entre as áreas do conhecimento da Astronomia, Biologia, Física, Geociências e Química de forma interdisciplinar e relacionados aos temas transversais dos PCNs (BRASIL/PCN, 1998).

Junto a estas orientações o uso da Prática como Componente Curricular (PCC) durante o curso todo (BRASIL/CNE/CP, 2002) para realizar o dialogo e a postura interdisciplinar entre a teoria e prática profissional, valorizando a identidade docente em relação às disciplinas da área específica das Ciências pode colaborar para integração das áreas dos conhecimentos supramencionados junto aos estágios docentes. Pois, Gatti e Barreto (2009) e Seiffert-Santos e Fachín-Terán (2011) apresentam uma predominância de disciplinas científicas sobre as disciplinas profissional e pedagógica em que influência na construção de uma concepção por parte do discente de valorizar a Ciências como fim em si mesma e não busque dialogo com os propósitos educativos e profissionais relacionados a área de ensino.

Outro assunto relacionado no GT 3 ficou claro a intensão dos acadêmicos buscarem a legitimidade de lecionarem no Ensino Médio em uma área das Ciências da Natureza e de poderem ser reconhecidos na área de pesquisa científica, contudo este posicionamento não pode ser final por algumas proposições: a) no posicionamento legal não poderia regredir o direito dos cursos que autorizam o ensino de Ciências no Ensino Médio (Biologia, Física e Química); b) haveria a situação do curso com melhor formação específica prevalecer sobre cursos de formação mais específica, isto não revela uma qualificação de conhecimento que reconheça formação competente na profissão docente e na área profissional científica; c) no Ensino Fundamental não há legislação específica para formação de professores de Ciências, podendo ser o ponto inicial para ocupar como nicho profissional docente e de pesquisa em ensino, ou não, neste caso pode ser faça-se DCN para formar professores para lecionarem nas cinco áreas das Ciências Naturais com professores com formação especifica; d) os cursos de LCN não são homogêneo devido suas a constituição das instituições e departamentos que hospedam os cursos, docentes universitários ligados à pesquisa científica em maior número de disciplinas e espaços em relação ao tempo, disciplina, pesquisa e professores ligados ao ensino de ciências.

Como ponto reforçador da pesquisa em ensino foi percebido nas apresentações de trabalhos de pôsteres e relatos de experiência e minicursos/oficinas mostrou o processo de avanço dos acadêmicos e docentes universitários na produção de conhecimentos, processo de ensino e aprendizagem e como na contextualização ambiental.

 

Considerações

A interação entre os Centros Acadêmicos foi realizada somente com os Cacien UFAM e UnB, não tendo os representantes de outros cursos, somente estudantes e professores. Uma das razões disso foi a greve dos técnicos e docente das IES federais em que os cursos estão hospedados.

O 2° Enecina avançou na direção de compreensão e entendimentos dos passos necessários para a construção das DCNs, porém, percebeu-se que vai além de atividade unilateral, é necessário o esforço de discentes e docentes para alcançar este propósito.

O licenciado em Ciências Naturais tem uma formação interdisciplinar para o ensino das cinco áreas das ciências (Astronomia, Biologia, Física, Geociências e Química) com disciplinas integradoras que o dão uma visão diferenciada das ciências e de como ensiná-las e como potencialmente podem ser interdisciplinar para os anos finais do Ensino Fundamental, contudo, nem sempre há uma formação suficiente para propor que este possa assumir o Ensino Médio em Biologia, Física e Química.

Também ocorre a necessidade de haver equilíbrio entres as cinco áreas das ciências com reflexão interdisciplinar utilizando-se ainda como uma das sugestões os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL/PCN, 1998) para colaboração de eixos temáticos.

Foi percebida a necessidade de realizar grupos de trabalhos de levantamento dos cursos de LCN das suas grades curriculares, PPC e instituições em todo o Brasil, mesmo com o crescimento e haver uma comunicação entre os discentes, docentes e coordenadores de cursos para troca de experiências.

Deixa-se para próximos eventos as seguintes indagações: a) quantos cursos de LCN há no Brasil?; b) Qual é perfil profissional desenhado por estas instituições?; c) Quais são as áreas profissionais que os egressos destes cursos estão assumindo?; d) Quais são os docentes que estão formando estes profissionais?; e) É possível ter um conjunto de argumentos coeso e justificável para fundamentar a criação das DCN para cursos de LCN?; f) Quais são? Mais sem diminuir os direitos conquistados por outros cursos?

Finalizamos com uma reflexão de Immanuel Kant: "A educação é o maior e mais difícil problema imposto ao homem".

 

Referências Bibliográficas

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: ciências naturais. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília, DF: MEC/SEF, 1998.

______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CNE nº 1.301, de 06 de novembro de 2001. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Ciências Biológica. Brasília: MEC/CNE, 2001.

______. ______. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP n.º 1, de 18 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília: MEC/CNE, 2002.

BIZZO, N. Mais ciências no ensino fundamental: metodologia de ensino em foco. São Paulo: Editora do Brasil, 2009.

ENECINA – 2º Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Naturais. Manaus/AM: 2012. Atas ... Manaus: 2012, enecina2012.webnode.com

GATTI, B. A.; BARRETO, E. S. S. (Org.). Professores do Brasil: impasses e desafios. Brasília: UNESCO, 2009.

IMBERNON, R. A. L. et al. Um panorama dos cursos de Licenciatura em Ciências Naturais (LCN) no Brasil a partir do 2º Seminário Brasileiro de Integração dos cursos de LCN/2010. Experiências em Ensino de Ciências. 6, pp. 85-93, 2011.

SEIFFERT-SANTOS, S. C; FACHÍN-TERÁN, A. Conhecimentos teóricos para a docência do ensino de zoologia em licenciatura de ciências em Manaus/AM. In: XX Encontro de Pesquisa Educacional Norte Nordeste – AM, Manaus: 2011. Atas ... Manaus: FACED/UFAM, 2011.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. atual. São Paulo: Cortez, 2007.

 

 


[1] Mestre em Ensino de Ciências. Departamento de Biologia - Universidade Federal do Amazonas. Brasil. [seiffertsaulo@gmail.com]

[2] Programa Internacional de Avaliação de Alunos . Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=17573>. Acessado em 01 dez. 2012.

[4] O termo Ciências Naturais ou Ciências é designado ao componente curricular no Ensino Básico que agrupa conteúdos de Astronomia, Biologia, Física, Geociências e Química.

[5] Especialista em uma área neste texto se refere a um campo dentro das ciências (Astronomia, Biologia, Física, Geociências e Química) em que não seja na área da educação. Não quer dizer que não existam especialistas em educação, este foi um termo para especificar dentro das ciências.

[6] Disponível em: .

[7] Parâmetros Curriculares Nacionais, publicados em 1998 para o Ensino Fundamental.

[8] Em 2010 foi realizado o 2º Seminário Brasileiro de Integração das Licenciaturas em Ciências São Paulo na EACH-USP nos dias 13 a 15 de outubro de 2010, sendo realizado em conjunto o 1° Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Naturais (1° Enecina) organizado pelo Centro Acadêmico de LCN “Mário Schöenberg” (EACH-USP).

[9] Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas (Parev) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM)

[10] Programa de Apoio à Realização de Cursos e Eventos (Parec) da Proexti (UFAM).

[11] É um documento normativo deliberado pelo MEC e Conselho Nacional de Educação que orientada e disciplina uma modalidade de curso superior.

[12] Concelho Regional de Biologia – 6ª Região.