A EPISTEMOLOGIA DE LARRY LAUDAN: diferentes tradições nas explicações dos seres vivos e suas implicações para o Ensino de Ciências e Biologia

 

Saulo Cezar Seiffert Santos

 Universidade Federal do Amazonas

sauloseiffert@ufam.edu.br

Cléria Maria Wendling

Universidade Estadual do Oeste do Paraná

cleriamwe@gmail.com

Fernanda Aparecida Meglhioratti

Universidade Estadual do Oeste do Paraná

meglhioratti@gmail.com

https://lattes.cnpq.br/3719288552692207

Texto original em PDF

Como citar: SANTOS, S.C.S.; WENDING, C.M.; MEGLHIORATTI, F.A. A EPISTEMOLOGIA DE LARRY LAUDAN: diferentes tradições nas explicações dos seres vivos e suas implicações para o Ensino de Ciências e Biologia. In: Ressonâncias filosóficas: artigos. Toledo: Vivens, 2017. p. 555-574.

RESUMO:

A elaboração de propostas para a renovação do ensino de ciências tem se dado por meio de reflexões epistemológicas a respeito da natureza da ciência. Nestas, tem sido enfatizado o movimento da Nova Filosofia da Ciência a partir de epistemólogos como Popper e Feyerabend. O objetivo deste ensaio é elencar possíveis contribuições de Laudan para a superação de visões deformadas a respeito da construção científica como empreendimento neutro, linear, estritamente empírico, acumulativo e feitos por poucas pessoas com capacidade intelectual elevada. Laudan analisa problemas empíricos, conceituais e anomalias das teorias científicas e assume as seguintes proposições sobre o progresso da ciência: as mudanças e controvérsias científicas são normalmente resolvidas conceitualmente; a existência de teorias rivais é comum, de tal forma que o progresso das teorias é uma atividade comparativa. Laudan apresenta o termo tradição de pesquisa como conjunto de correntes teóricas e metodológicas afins. Laudan levanta a questão da mudança de paradigma racional por novas opções axiológicas, metodológicas e factuais. Ainda, propõe o Modelo Reticulado de Racionalidade Científica em função dos métodos, teorias, fins e metas de pesquisa. Assim, os objetivos justificam os métodos, as teorias restringem as metodologias, os fins e metas justificam as metodologias, as metodologias tornam factíveis aos fins e metas, e as teorias devem se harmonizar com os fins e metas. Utilizamos as ideias de Laudan para identificar cinco diferentes tradições que buscaram explicar os seres vivos e sua diversidade. Em seguida, traçamos algumas implicações para o ensino de Ciências e Biologia. Entendemos que reconhecer que existem modos de pensar distintos e que estes se modificaram ao longo da história pode contribuir para que os alunos identifiquem a produção de conhecimento, como algo não linear, com ideias concorrentes e sujeitas aos conhecimentos de uma época.

 

PALAVRAS-CHAVE: Larry Laudan; Tradição de Pesquisa; Epistemologia da Ciência; Ensino.

 

INTRODUÇÃO

 

O Ensino de Ciências recebeu inúmeras influências das epistemologias da Ciência, assim, autores como Popper, Lakatos, Kuhn e Feyerabend (CUPANI; PIETROCOLA, 2002; MOREIRA; MASSONI, 2016; PRAIA et al., 2002) ajudaram a pensar como ocorre a construção do conhecimento científico. Normalmente esses epistemólogos foram relacionados ao ensino de ciências por uma visão construtivistas e podem ser classificados como tendo interpretação da ciência como interno-racionalista (p.e., Popper com a teoria da falsificacionismo), ou externo-sociológicos (p.e., Feyerabend defendendo o anarquismo epistemológico), ou com relação a ambas interpretações (como Lakatos – Programas de Pesquisa, Toulmin – Modelo Evolutivo, Kuhn – Revolução dos Paradigmas, Giere – Modelo Cognitivo) (SANMARTI, 2002).

Thomas Kuhn com a teoria das revoluções paradigmáticas apresenta fatores sociais e por vezes irracionais como motores das crises nos paradigmas até sua substituição por outra ciência emergente. Um paradigma que já passou por sua fase de ciência normal passa a não corresponder mais às demandas de responder os problemas científicos, e é substituída por uma ciência emergente que apresenta outro modelo de fazer ciência (epistemologicamente/metodologicamente). A revolução copernicana em que o geocentrismo é substituído pelo heliocentrismo é para KUHN, (2000) um exemplo de revolução paradigmática. Contudo, o modelo de desenvolvimento, do pensar e do fazer da ciência de Kuhn é em parte questionado por outros epistemólogos. Estes argumentam que esse modelo não corresponde a muitos casos presentes na história das ciências (SÁVIO, 2008).

Como alternativa de análise epistemológica para ensino de ciências apresentamos o ainda pouco usado Larry Laudan (COLOMBO DE CUDMANI, 1997). Laudan realiza críticas acerca da ideia de paradigmas, realizando um movimento de retorno a racionalidade e propõe o desenvolvimento da análise das teorias científicas vinculada a ideia de tradições de pesquisa. As ideias de Laudan já foram utilizadas em alguns trabalhos em ensino de ciências com o propósito de favorecer a superação do mero empirismo e para uma ideia de movimento histórico e filosófico da ciência. Podemos mencionar alguns trabalhos: Colombo de Cudmani (1997) faz um texto apontando aproximações das ideias de Laudan para o ensino de ciências; Guridi, Salinas e Villani (2003) tratam das concepções de alunos do Ensino Médio por meio das idéias epistemológicas de Laudan para a física newtoniana; também em física, o trabalho de Ostermann et al. (2008) destaca as tradições de pesquisa quântica; no ensino de biologia o trabalho de Braunstein (2011) aponta as tradições de pesquisa mendeliana.

O objetivo deste ensaio é utilizar as ideias de Laudan para explorar a existência de diferentes tradições de pesquisas que explicaram os seres vivos e sua diversidade ao longo da história. Em seguida, buscamos traçar reflexões de como a ideia de tradições de pesquisas de Larry Laudan pode propiciar uma reflexão para o Ensino de Ciências e Biologia.

           

TRADIÇÃO DE PESQUISA EM LARRY LAUDAN

 

Inspiramo-nos em Larry Laudan (LAUDAN, 2011) no seu livro “O Progresso e seus Problemas: rumo a uma teoria do crescimento científico”. Se faz aqui uma síntese das ideias deste autor com a finalidade de compreensão sobre a necessidades de analisar problemas empíricos, conceituais e antinomias. Laudan assume as seguintes proposições para sua reflexão sobre o progresso da ciência (LAUDAN, 2011): a) a ciência não é acumulativa; b) normalmente não se refuta teorias por suas anomalias; c) as mudanças e controvérsias científicas são resolvidas conceitualmente, normalmente, muito mais que empiricamente; d) os princípios da racionalidade do pensamento científico passam por mudanças ao decorrer do tempo; e) o comum  são as existências das teorias rivais, de tal forma que o progresso das teorias é uma atividade comparativa.

Laudan em sua epistemologia não propõe ou busca uma demarcação científica com outros campos do conhecimento, já que entende que a demarcação é difícil de se alcançar e que não traz contribuições para a construção do conhecimento científico. Apesar de não buscar uma demarcação da ciência com outros campos do pensamento intelectual, ele alerta que, em geral, disciplinas consideradas científicas costumam ser mais progressivas na resolução de problemas devido aos seus traços metodológicos e ontológicos (MACHADO, 2006). Laudan ainda destaca que o objetivo da ciência é produzir teorias eficazes na solução de problemas ou modelos científicos para resolver os problemas científicos. Assim, entende que outras formas de conhecimentos também resolvem problemas, contudo, os modelos científicos normalmente se mostram mais eficazes. Além disso, considera que uma teoria nova que faz tudo que a anterior faz e traz mais contribuições é superior a antecessora (LAUDAN, 2011).

Laudan classifica os problemas científicos em empíricos e conceituais. Sendo a primeira mais básica e concreta, no qual é todo problema que é tomado como estranho e precisa de explicação no contexto em que foi tomada. A segunda se refere a problemas de inconsistências apresentadas em alguma teoria, sendo que as teorias são produtos de primeira ordem (responde a perguntas de pesquisa) e os problemas conceituais são de segunda ordem. As anomalias são casos em que a teoria descreve de forma insatisfatória ou não descreve a situação requerendo uma teoria própria, ad hoc. Ao contrário de Popper, Laudan não atribui à produção de anomalias a função da ciência embora reconheça sua importância. Para Laudan, assim como para Kunh, as anomalias podem gerar a ruína de um paradigma, no entanto, em algumas circunstâncias elas podem ser admitidas e suportadas.

Segundo Laudan os problemas científicos são o aporte principal do pensar científico e as teorias são os produtos finais, pois: o problema produz perguntas da ciência e das teorias, levando a resultados adequados. Isso conduz as duas teses sobre a função das teorias na ciência: a) uma teoria é boa se proporcionar soluções satisfatórias aos problemas importantes; b) a avaliação de relevância de uma teoria se verifica se ela resolve problemas relevantes de forma adequada e não se corrobora ou é bem confirmada. Nisso há uma distinção importante entre fatos e suas explicações e também em problemas empíricos e suas soluções. Um fato continua sendo fato mesmo que não compreendido, enquanto problemas empíricos é problema se conhecido, isto está ligado a visão de mundo. Mas os problemas empíricos podem ser resolvidos adequadamente por uma teoria, ou parcialmente, e neste caso torna-se em problema anômalo, em que pode ser resolvido por teoria alternativa. Assim, o progresso da ciência está em tornar problemas não resolvidos, ou anômalos em problemas resolvidos. Isto é, se a comunidade entende que está resolvido com a explicação teórica, então está resolvido, mesmo que de forma aproximada.

Os problemas conceituais estão na situação de análise da consistência e estrutura conceitual teórica, podendo ser de ordem interna (ambiguidades ou circularidades dentro da teoria) ou externa (tensões com outras teorias, explicações diferenciadas de outras teorias, reforço de conclusões de outra teoria sem implicar por completo ambas). Os problemas externos podem ser causados por dificuldades intracientíficas, ou seja, duas teorias inconsistentes com a realidade; ou dificuldade normativa, isto é, tensões entre metodologias vigentes e teorias científicas; e também visões de mundo diferentes no qual assumem compromissos e pressupostos diferentes para construção teórica.

Laudan emprega o termo tradição de pesquisa, em que define como “[...] uma tradição de pesquisa é um conjunto de suposições acerca das entidades e dos processos de uma área de estudo e dos métodos adequados a serem utilizados para investigar os problemas e construir teorias dessa área do saber” (LAUDAN, 2011, p. 115). As tradições de pesquisas não são tendências que se constituem rapidamente, pelo contrário, são historicamente consolidadas, recebem aqueles que a aderem e a fortalecem ao decorrer do tempo. No caso, essas tradições de pesquisa e as teorias possuem condicionais históricos e conceituais, como conjuntos de leis que corroboram empiricamente na explicação e uso de métodos acerca da natureza. Logo,

“[...] toda tradição de pesquisa contém diretrizes significativas acerca da maneira como suas teorias podem ser modificadas e transformadas, para incrementar sua capacidade de resolver problemas (p. 130). [...] Contudo, o papel estabilizador está na tradição. As “tradições de pesquisa justificam muitas suposições feitas por suas teorias; podem servir para marcar certas teorias como inadmissíveis por ser incompatíveis com a tradição de pesquisa; podem influenciar o reconhecimento e a ponderação dos problemas empíricos e conceituais de suas teorias componentes; e podem oferecer diretrizes heurísticas para a geração ou modificação de teorias específicas” (LAUDAN, 2011, p. 132).

        As tradições de pesquisas podem ser melhor consolidadas, o que se parece com a ciência normal de Kuhn, ou podem ocorrer mudanças gradativas no seu núcleo, ou até serem abandonadas. Mas ocorrem situações em que podem ser retomadas e os seus pressupostos, teorias e métodos corroboram novas teorias e propostas. Desta forma, Laudan discorda de Kuhn sobre o funcionamento normal científico e suas antinomias, e de Lakatos por considerar que as mudanças heurísticas negativas são necessárias para grupo de teorias no enfrentamento dos seus problemas de pesquisa (LAUDAN, 2011; PRÄSS, 2008)

            Apresentamos uma síntese sobre Tradição de Pesquisa a partir do mapa conceitual em Laudan (LAUDAN, 2011) na Figura 01. Observe que a direção de hierarquia conceitual é horizontal.

Laudan, Modelo de Racionalidade, Ensino de Biologia

Figura 01: Mapa conceitual a respeito da Tradição de Pesquisa em Laudan (2011). Fonte: Própria.

 

O Modelo Reticulado de Racionalidade Científica de Laudan

Uma das oposições de Laudan a Kuhn mais interessante está no resgate da racionalidade por meio dos pressupostos cognitivos nos objetivos das investigações numa tradição de pesquisa. Laudan levanta a questão da mudança de paradigma na racionalidade por novas opções axiológicas, metodológicas e factuais (SALVI, 2011). Pois, segundo Kuhn a adoção ao novo paradigma se aproxima de uma iluminação (insight), semelhante ao gestaltismo, numa visão hierárquica e holística conceitual do novo paradigma e não por meio das decisões racionais (KOIDE, 2011). Todavia, para Laudan é necessário a racionalidade do tipo intrarevolucionária para seleção de teorias, métodos e fins nas investigações, não aceitando, portanto, saltos de insight. Assim, propõem o “Modelo Reticulado de Racionalidade Científica” (KOIDE, 2011; LAUDAN, 1984) em função dos métodos, teorias e objetivos (fins e metas de pesquisa).

Entendendo que demandas axiológicas, metodológicas e factuais estão conectadas de tal forma que na produção do conhecimento que os objetivos justificam os métodos, as teorias restringem (limitam) as metodologias, os objetivos (fins e metas de pesquisa) justificam as metodologias, as metodologias tornam factíveis os fins e metas da pesquisa (objetivos), e as teorias devem se harmonizar com os fins e metas de pesquisa (objetivos) (COLOMBO DE CUDMANI, 1997). Veja na Figura 02.

 

Figura 02: Modelo esquemático reticulado de racionalidade científica. Fonte: Adaptado a partir de LAUDAN (1984)

 

Garantindo os ajustes necessários na racionalidade da pesquisa, e também a progressiva mudança dentro da tradição, ou interevolução científica, em que se pode perceber as decisões e suas avaliações para a pesquisa. Além disso, possui um valor pedagógico no ensino de ciências de colaborar para análise racional entre métodos, teorias e fins/metas da escolha dos pesquisadores.

 

As tradições relativas ao pensamento a respeito dos seres vivos

Por meio dos conceitos e modelos propostos por Laudan podemos olhar para as tradições ao longo da história que buscaram explicar os seres vivos e destacar aquelas que se aproximam de ideias aceitas cientificamente (lembrando que para Laudan as tradições não se restringem apenas aquelas elaboradas no cerne da ciência, pois não há um critério de demarcação entre ciência e não ciência). Assim, percebe-se como as tradições foram se modificando ao longo do tempo, inserindo ou excluindo conceitos, modelos e teorias. Além disso, busca-se a compreensão que as tradições, muitas vezes, expressam diferentes formas do pensar.

Compreender que um mesmo fenômeno pode ter sido explicado por diferentes caminhos do pensamento humano promove o respeito à diversidade de ideias. Contudo, é importante no contexto do ensino de ciências e biologia os alunos reconhecerem e compreenderem as tradições científicas aceitas na atualidade. Assim, o acesso a essa compreensão pode propiciar uma alfabetização científica que auxilia por exemplo no debate público respeitoso de temas controversos (MILLAR, 2003).

As explicações para os seres vivos foram objetos teóricos de diferentes tradições, desde discussões que ocorreram na filosofia e teologia até as explicações biológicas que tem mais ênfase na ciência atual (MAYER, 2008). Para Laudan, as tradições não têm demarcação científica e sim organizações conceituais que resolvem melhor problemas empíricos e/ou conceituais (LAUDAN, 2011). Assim, quando analisamos a História da Ciência e a diversidade de explicação dos seres vivos podemos reconhecer cinco grupos de explicações que poderiam ser consideradas tradições do pensamento na explicação dos seres vivos: Tradição Platão-Aristotélica, Tradição Judaico-Cristã, Tradição Naturalista; Tradição da Teoria Sintética da Evolução; Tradição da Síntese Ampliada da Evolução.

A Tabela 1 apresenta as cinco tradições identificadas para a explicação dos seres vivos e sua diversidade. Destacamos que essas tradições possuem diversas ideias em seus interiores e que os elementos apresentados são sintéticos e funcionam como organizadores dos principais aspectos dessas tradições. A tabela é amparada no Modelo Reticulado de Racionalidade Científica proposto por Larry Laudan. As cores da tabela identificam aspectos importantes do modelo: Azul (Campo Teórico), Vermelho (Campo Metodológico) e Laranja (Campo de Fins e Objetivo da Pesquisa).

O Modelo Reticulado de Racionalidade Científica (MRRC) de Laudan (LAUDAN, 1984) articula o campo racional, analítico e conceitual (teórico), o campo metodológico (métodos) e os fins de pesquisa (fins e objetivos). Na tabela 1. são apresentados os fins da pesquisa (fato, problema, solução e tradição); o campo teórico (ontologia, mecanismo e autores); o campo metodológico (metodologia).

 

 

Tabela 1: Elementos conceituais organizadores das explicações dos seres vivos e sua diversidade. Fonte: Própria.

Fato

 

A existência da diversidade biológica ao longo do tempo.

Problema

 

Podem ocorrer mudanças na diversidade biológicas nos seres vivos ao decorrer do tempo?

Tradição

Platão-Aristotélica

Judaico-Cristã

Naturalista

Sintética da Evolução

Síntese ampliada da Evolução

Solução

Seres vivos surgem de maneira espontânea e as variações são relacionada às imperfeições da matéria.

Pensamento fixista – espécies criadas de maneira fixa.

Tranformacionismo (Lamarck)

Seleção Natural e diversificação de espécies.

Variabilidade genética

Seleção Natural

Fluxo gênico

Deriva genética

Inclui a tradição sintética da evolução

Soma-se explicações epigenéticas

Articula-se a Evolução e desenvolvimento embriológico (Evo-Devo). 

Metodologia

Reflexão filosófica:

-abiogênese

- mundo das ideias e mundo material

 

Reflexão hermenêutica com diálogo com literatura científica: Teoria da Terra Jovem (TTJ); Teoria da Terra Antiga (TTA)

Descrição de espécies e ambientes

Estudos paleontológicos, genéticos e de especiação.

Estudos genéticos e epigenéticos

Estudos da Biologia evolutiva do desenvolvimento

Ontologia

Percepção explicada pela teleologia

Percepção explicada pela teologia

Percepção explicada pelo vitalismo e/ou por diversificação de espécies naturais

 

Percepção explicada por modelos genéticos

Percepção explicada por modelos computacionais, genéticos, epigenéticos.

Mecanismo

Metafísica e deduções observacionais

Hermenêutica bíblica, argumentos bioquímicos e arqueológicos

Uso-e-desuso;

Herança dos caracteres adquiridos;

seleção natural;

diversificação das espécies

Mecanismo de expressão gênica e seleção natural

Mecanismos de expressão gênica, epigenéticos, compreensão dos genes base para a estrutura corporal

Autores

Ross (1987)
 

TTR (NELSON; REUNOLDS, 2006); TTA  (NEWNAM, 2006)

Mayr (1977)

MAYER (2008); SILVA; DUARTE (2016)

Carrol (2008); Jablonka e Lamb (2005).

 

 

Entre as tradições identificadas as tradições Platão-Aristotélica e Judaico-Cristã são as mais antigas e possuem em comum a resposta que os seres vivos não mudam ou mudam parcialmente, mas possuem explicações diferentes para isso. Contudo, ambas ainda compartilham o método ligado a argumentação e a reflexão filosófica e teológica e seu campo teórico relacionado à atividade reflexiva com base observacional e dedução dos corpos metafísicos ou teológicos (ROSS, 1987; NELSON; REUNOLDS, 2006; NEWNAM, 2006).

Alguns filósofos gregos como Anaximandro, Empédocles e o próprio Aristóteles sugeriram uma possível mutabilidade dos seres vivos, contudo, nesse período essa mutabilidade é vinculada, em geral, a uma leitura idealista do mundo (CHAVES, 1993). Platão e Aristóteles desenvolveram ideias que repercutiram por muitos anos na compreensão dos seres vivos, inclusive no pensamento tipológico de espécie, no qual a diversidade de espécies está relacionada com a existência de um número limitado de tipos básicos presentes no mundo das ideias, no mundo da criação (MAYR, 1977).

O pensamento tipológico está vinculado ao pensamento de Platão e de Aristóteles. De acordo com Vlastos (1987), Platão “propõe descrever a origem do cosmos como obra de um deus que toma a matéria em um estado caótico e a molda à semelhança de um modelo ideal”. Esse Deus e suas ideias são perfeitas, mas a matéria a ser moldada é imperfeita, como consequência os fenômenos naturais são apenas reflexos imperfeitos das ideias desse Deus. Aristóteles foi discípulo de Platão e, de acordo com Ross (1987), buscou explicar as características das espécies vinculadas às suas finalidades. Desse modo, cada órgão ou característica se desenvolveria com uma finalidade e existiria um tipo ideal para cada espécie de acordo com um fim específico. Assim, a variação dentro de uma mesma espécie seria explicada pelas imperfeições da matéria utilizada e não pela causa final da natureza. O pensamento essencialista de Platão e o pensamento tipológico de Aristóteles chegou a conclusão da imutabilidade dos seres vivos. Sua justificativa da diversidade de seres vivos se deu por geração espontânea. O seu método de investigação foram as deduções metafísicas das observações do mundo natural. Ressalta-se que a reflexão filosófica foi o método de conhecer o mundo, e não ocorria métodos de verificação empíricas. No qual surgiu essa sistematização organizada em programa de pesquisa muito tempo depois.

Entre as várias interpretações (hermenêuticas) bíblicas da origem dos seres vivos destacam-se duas. A Teoria da Terra Recente postula um universo criado em seis dias literais seguindo um cronograma bíblico (de menos de dez mil anos), ou seja, é a teoria aparentemente mais aceita na comunidade brasileira cristã. Outra teoria concorrente é a Teoria da Terra Antiga que leva em conta uma certa apropriação de dados científicos da teorização sobre a formação do universo, planeta e vida em momentos diferenciados. Estas se distinguem de uma interpretação literal dos textos bíblicos, contudo, posicionando-se pela existência de criações divinas em momentos diferentes na história do planeta (NELSON; REUNOLDS, 2006; NEWNAM, 2006). Ambas as teorias aceitam os pressupostos fixistas da origem das espécies sem a possibilidade de mudança em outras, contudo uma aceita uma única criação, e a outra entende que a criação é recorrente. Esse elemento fixista se aproxima de uma confissão agostiniana, que por sua vez foi um neoplatônico ao crer em dois mundos, no qual o mundo natural e físico é uma cópia do mundo celestial (DOCKERY; GEORGE, 2015). Por isso, as essências são espirituais e não materiais e se mantém eternamente, e a expressão temporal seriam os organismos em uma associação com mundo natural, como consequência não mudaria a espécie ao decorrer do tempo (MORELAND; CRAIG, 2005). Esse modo de compreensão do mundo se constituiu da Tradição Fixista Judaica-Cristã que herda muitos elementos das bases da Tradição Platão-Aristotélicas. A tradição Judaica-Cristã influenciou o pensamento a respeito dos seres vivos em diferentes momentos da história. Por exemplo, para Carl von Linné (século XVIII), o papel da ciência natural era catalogar plantas e animais, para se aproximar do plano de Deus (FUTUYMA, 2002).

As duas tradições descritas até o momento são principalmente fixistas no sentido de apontar pouca ou nenhuma mutabilidade na diversidade dos seres vivos. Por outro lado, principalmente a partir do século XVIII começa a se formar uma tradição naturalista associada a ideia de transformação nas espécies. Um dos autores mais conhecidos nessa tradição é Jean Baptiste Pierre Antoine de Monet, Chevalier de Lamarck (1744 - 1829). Para Martins (1993), alguns pontos importantes do pensamento de Lamarck eram: a ideia de progressão gradual dos seres vivos; a crença na criação da natureza e de suas leis por Deus, contudo, as leis naturais funcionavam sem a intervenção divina; a geração espontânea de seres vivos a partir da matéria inanimada; a existência de uma tendência interna dos organismos que levava ao aumento de complexidade; a existência de uma cadeia de progressão de animais e outra para vegetais; e a existência de causas acidentais no ambiente que poderia levar a formação de espécies ramificadas. Ainda a autora destaca que Lamarck na obra “Histoire naturelle des animaux sans vertebres” (1815-1822) propõe quatro leis para a transformação dos seres vivos: 1) tendência natural para o aumento da complexidade; 2) influência do meio no desenvolvimento dos órgãos animais, que leva a constituição de uma nova necessidade para o organismo; 3) a ideia do uso e desuso, no qual o emprego mais frequente de um órgão leva ao desenvolvimento desse e a falta de uso à atrofia; 4) herança dos caracteres adquiridos, no qual uma mudança adquirida por um hábito é conservada ao longo das gerações se for comum aos indivíduos na reprodução (LAMARCK, Philosophie zoologique, p.50, apud MARTINS, 1993, p.173).

Ainda nessa tradição temos a ideia de seleção natural que foi proposta de forma independente por Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, que comunicaram de maneira conjunta seus resultados em julho de 1858 à Linnean Society de Londres (CARMO; MARTINS, 2006). A ideia de Seleção Natural diz respeito a sobrevivência diferencial de um organismo em um dado ambiente e estava amparada nas ideias Malthusianas, sendo assim descrita por Darwin:

A luta pela sobrevivência resulta inevitavelmente da rapidez com que os seres organizados tendem a multiplicarem-se. Todo indivíduo que, durante o estado natural de sua vida, produz muitos ovos ou muitas sementes, deve ser destruído em qualquer período da sua existência, ou durante uma estação qualquer, porque de outro modo, dando-se o princípio do aumento geométrico, o número de seus descendentes tornar-se-ia tão notável que nenhuma região os poderia alimentar. Também como nascem mais indivíduos que os que conseguem sobreviver, deve existir em cada caso, luta pela sobrevivência, quer com outro indivíduo da mesma espécie, quer com indivíduos de espécies diferentes, quer com as condições naturais de vida. É a doutrina de Malthus aplicada com a mais considerável intensidade a todo o reino animal e vegetal, porque não há nem produção artificial de alimentação, nem restrição ao casamento pela prudência (DARWIN, 2000, p. 70).

 

Essa tradição naturalista constituída por Lamarck, Darwin, Wallace e muitos outros pesquisadores começa a fazer uma transição das explicações que levavam em consideração a crença divina para explicações mais vinculadas a racionalidade e a constituição da ciência Biologia que estava emergindo no começo do século XIX. Contudo, ainda se mantém pesquisadores no período com ideias naturalistas e admitindo o transformismo, como crenças, dos seres vivos, deixando o fixismo das teorias cristãs.

No início do século XX, com os avanços na área da genética, a ideia de seleção natural é recontextualizada e se articula a ideia de variação gênica e mutações. Essa síntese evolutiva ocorre entre 1936 e 1950 com colaboração de muitos pesquisadores, em uma tentativa unir o conhecimento genético e o conhecimento que vinha da paleontologia, sistemática e história natural (MAYR, 1991). Formou-se assim um relativo consenso entre os biólogos que acordaram os seguintes pressupostos: as populações contêm variações genéticas que surgem através de mutação ao acaso e recombinação; as populações evoluem por mudanças nas frequências gênicas por meio de deriva genética, fluxo gênico e seleção natural; a evolução ocorre de maneira lenta e gradual; a diversificação das espécies ocorre por meio de processos de especiação (FUTUYMA, 2002).

A tradição da Teoria Sintética da Evolução centrou-se depois da construção no modelo de dupla hélice do DNA, em 1953, em uma visão DNAcêntrica e reducionista dos seres vivos, recaindo em um modo de fazer ciência positivista. O viés positivista por meio da teoria genética baseada na codificação dos caracteres hereditários pela transcrição do DNA entende que todos os seres vivos podem ser explicados pela composição de seu DNA. Com o positivismo buscou-se eliminar pressupostos metafísicos, tais como causas teleológicas, ideias vitalistas, entre outros fatores, pois a causa de uma característica deveria ser fisicalistas e possuir um mecanismo verificável e testável (MARANDINO; SELLES; FERREIRA, 2009). Em sua maioria, os pesquisadores que entraram nessa tradição de pesquisa retiram o pensamento teleológico e progressista da Biologia, evidenciando que a evolução não tem uma direção (MAYER, 2008).

A Tradição da Teoria Sintética da Evolução começa a ser ampliada e transformada nas últimas décadas com a inserção de ideias científicas que começam a pensar o organismo como sistema complexo, em que o DNA é apenas uma parte em uma multiplicidade de interações moleculares, orgânicas e ambientais e pelas ideias da Biologia do Desenvolvimento. Essa tradição que começa a emergir tem sido chamada de Síntese Ampliada da Evolução ou Síntese Estendida da Evolução em referência a síntese anterior realizada em meados do século XX.

Em relação a complexidade dos organismos, dá se atenção aos fatores epigenéticos, que podem ser fatores celulares, orgânicos e ambientais que interferem e sinalizam a expressão gênica. Além disso, amplia-se a ideia de herança biológica, entendendo que os seres vivos herdam muito mais do que apenas DNA de uma geração para outra. Em uma perspectiva sistêmica dos seres vivos e das explicações biológicas, Oyama, Griffits e Gray (2001, pp. 2-6) destacam que: os seres vivos são determinados por múltiplas causas, sendo a dicotomia gene/ambiente apenas um dos recursos desse sistema; a herança biológica é entendida de forma ampliada, entendendo que um organismo herda uma ampla variedade de recursos que interagem na construção do seu ciclo de vida; o desenvolvimento biológico é entendido como construção, pois nenhum traço/característica é transmitido, mas construídos/reconstruídos no desenvolvimento biológico; controle celular ou orgânico é distribuído, assim, nenhum dos interagentes específicos no organismo controla o desenvolvimento, sendo algo realizado pelo sistema como um todo; a evolução biológica é entendida como construção e processo, pois, os organismos ou populações não são moldados pelo ambiente, mas o sistema constituído pela interação entre organismos e seus ambientes muda ao longo do tempo.

A Biologia evolutiva do desenvolvimento vem contribuir com a Tradição da Síntese Ampliada da Evolução ao identificar que mudanças em mecanismos básicos de regulação e expressão gênica podem repercutir no desenvolvimento das formas orgânicas, sendo estas alterações na população sujeitas ao processo seletivo. Um dos aspectos interessantes encontrados pelos estudos da Biologia do Desenvolvimento é que as diferenças corporais dos animais estão associadas mais aos padrões temporais e espaciais na regulação gênica do que na modificação da sequência do DNA (ALMEIDA; El-HANI, 2010; CARROL, 2008). Isso significa que pequenas alterações na sinalização da expressão gênica podem dar origem a diferentes formas corporais. Então a variação na população não está restrita apenas uma variação nas moléculas de DNA, mas as formas de seus controles.

 

 

As tradições de pesquisa e o ensino de ciências e Biologia

 

Apresentamos no tópico anterior algumas tradições de pesquisa que foram constituídas ao longo da história para a explicação dos seres vivos e sua diversidade. A compreensão da existência de diferentes tradições que são as vezes coexistentes e outras vezes sucessivas permite aos alunos no contexto das aulas de ciências e biologia perceberam como a ciência é dinâmica, controversa e não linear. Por exemplo nas tradições que estudamos identificamos como algumas tradições incorporam elementos de outras ou são absorvidas em uma nova tradição emergente.

Apresentar os elementos de como as tradições funcionam na perspectiva de Larry Laudan permite superar visões empírico-indutivistas presentes em professores, alunos, e, muitas vezes, em pesquisadores (HARRES, 1999; PRAIA et al., 2002). Na reflexão de Laudan verificamos alguns pontos interessantes para desnaturalizar essas tendências cientificistas muitas vezes presentes no ensino de ciência, entre eles: A compreensão que a ciência se dá em um contexto de solução de problemas; que os problemas são de ordem empírica ou conceitual; que as teorias são elaboradas para resolver problemas existentes em uma concepção anterior e organizada de mundo (compromissos e valores do pesquisador) que conforma uma tradição de pensamento, ou de pesquisa; que as tradições de pesquisa legitimam formas de pensar e praticar a ciência, e isso não é necessariamente certo, ou errado, mas são práticas aceitas que evitam que o cientista tenha de pensar em todos os pressupostos integralmente, pois a tradição já o fez; que no enfrentamento do problema científico ocorre diálogo com outras formas de conhecimentos (tradicionais, religiosos, etc.) que podem contribuem para solução do problema desde que possuam proposta conceitual; que o modelo reticulado de racionalidade científica pode ser usado para analisar teorias científicas e ajudar a compreender as escolhas dos cientistas dos fins/meios, método e teorias.

As tradições de pesquisas relativas às explicações dos seres vivos e sua diversidade foram abordadas por meio do Modelo Reticulado de Racionalidade Científica (MRRC) que faz uma espécie de balanceamento para equilíbrio da pesquisa dos objetivos e fins com os métodos e teorias, um triângulo racional da investigação. Observamos que essas contribuições, que usam da história e da filosofia da ciência, para compreensão dos problemas, métodos, teorias e epistemologia da ciência são úteis para analisar/estudar os conteúdos científicos de forma a incentivar o pensamento analítico, crítico e a argumentação racional das temáticas científicas.

Compreendemos que as tradições identificadas no nosso estudo possam ser apresentadas como caminhos em que os seres vivos foram pensados na história da Biologia. Contudo, deve-se dar ênfase às explicações científicas mais atuais que respondem progressivamente (no sentido de Laudan) mais problemas biológicos. Entender que em muitos momentos ocorrem diferentes formas para a explicação dos seres vivos pode também permitir uma visão mais respeitosa na sala de aula em relação aos diferentes posicionamentos dos alunos relativos a origem e evolução dos seres vivos.

Um estudo relativo a constituição de diferentes tradições de pesquisa não pode ser realizado em poucas horas na sala de aula, pois exige um aprendizado metacognitivo para perceber a própria lógica do pensamento e seus pressupostos, e também a negociação de significado por meio do diálogo. Contudo, seria muito pertinente para incluir as discussões epistemológicas e históricas nas salas de aulas e propiciar uma visão mais contextual da produção do conhecimento.

 

 

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