POR UMA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA ENRIQUECEDORA NA AMAZÔNIA: CULTURA E ABORDAGEM DIALÓGICA

FOR AN ENRICHING POPULARIZATION OF SCIENCE IN THE AMAZON:   CULTURE AND DIALOGICAL APPROACH

Saulo Cézar Seiffert-Santos[1]

Marcia Borin da Cunha[2]

OBSERVAÇÃO: Trabalho apresentado no Simpósio de Educação em Ciências na Amazônia. Escola Normal Superior. Universidade do Estado do Amazonas. Manaus, 04 de outubro de 2018. Anais em: https://secam.com.br/anais/secam-2018-anais/

Resumo: A Divulgação Científica pode apresentar-se sob diferentes formas de discurso, todas com a intensão de expor o conhecimento científico. Nesse sentido, Amazônia é tema para a Divulgação Científica. Esse discurso é, contudo, intencional e pode apresentar-se como uma construção mítica, deformada ou isolada, deixando de refletir a realidade amazônica. Por outro lado, pode apresentar as diversidades e humanidades presentes no contexto da Amazônia. Dessa forma, o artigo tem o objetivo de fazer uma tessitura sobre o aspecto comunicativo da Divulgação Científica em relação ao tema “Amazônia”, como construção discursiva e cultural e algumas implicações. Para isso foram utilizados conceitos da análise dialógica discursiva do "círculo de Bakhtin" e aproximamos os conceitos relacionados à Divulgação Científica, ao Letramento Científico e à Cultura Científica com o Discurso da Divulgação Científica. Apresentamos exemplos de iniciativas de Divulgação Científica sobre a Amazônia em museu, ponderando sobre o processo de enriquecimento cultural amazônico.

Palavras-chave: Vulgarização científica, Museu, Ideologia, Discurso, Bakhtin.

Abstract: Popularization of Science can be presented under different forms of discourse, all with the intention of exposing scientific knowledge. In this sense, the Amazon is a theme for Scientific Divulgation. This discourse, however, is intentional and may not reflect the Amazonian reality, as it may present itself as a mythical, deformed or isolated reality. On the other hand, it can present the diversities and humanities present in the context of the Amazon. In this way, we seek to make a text about the communicative aspect of the Scientific Divulgation in relation to the theme "Amazon", as a discursive and cultural construction and some implications. We used concepts from the dialogical discursive analysis of "Bakhtin's circle", and we approached the concepts related to Scientific Population, Scientific Literature, Scientific Culture with the Discourse of Scientific Population. We present examples of Amazonian Scientific Population initiatives in museum, pondering the process of Amazonian cultural enrichment

Keywords: Scientific popularization, Museum, Ideologic, Discourse, Bakhtin.

Introdução

O termo "amazônia" é mais que uma palavra, é um signo no qual se refratam muitas concepções. Na verdade, quando o termo é usado para designar uma região na América do Sul e, então, escrito letra inicial maiúscula − Amazônia −, são criadas e recriadas concepções diferentes de acordo com interesses e contextos históricos culturais em função de objetivos materiais e de poder. Nessa ideia, a Amazônia pode ser pouco conhecida, pois podemos nos perguntar: Qual é o contexto imaginário (ideológico) em que temos alguma apropriação de sentido sobre Amazônia? O imaginário pode ser fértil: “paraíso verde”, “pulmão do mundo”, “eldorado”, “inferno verde”, “celeiro do mundo”, “santuário intocável” e “almoxarifado do grande capital” (MELLO, 2013).

O próprio nome é raiz de um mito. Quando Gaspar de Carvajal, na expedição de Francisco Orellana, em 1541-1542, “interpretou” ter encontrado as amazonas, mulheres guerreiras e temidas da mitologia grega, assim o nome "Amazônia" derivou do nome dado por Carvajal ao rio (rio das Amazonas) na expedição entre o rio Coca no Equador até a foz do Amazonas no acesso ao oceano Atlântico (ARAGÓN, 2013). Um fator interveniente nessa questão é que Orellana, por necessidade de investimento para manter a expedição, permitiu e alimentou essas ideias fantasiosas sobre “as amazonas” e coisas paradisíacas do “novo mundo”.

A Amazônia tem sido objeto de diversos propósitos, em especial de exploração externa, por meio do discurso estrangeiro, e assim se justificam ações de intervenção local, em especial, de proteção de reservas naturais, como a ideia de internacionalizar a Amazônia. Essa ideia tem origem em um contexto político em que o senador Cristovam Buarque, respondendo a uma plateia estrangeira sobre essa internacionalização, referiu que também se internalizasse então o petróleo dos diversos países, os museus e as riquezas minerais e culturais do mundo (BUARQUE, 2010). Por isso, a Amazônia necessita ser objeto do discurso dos brasileiros e dos amazônidas sobre si mesmos e sobre a sua relação com o Brasil e com o mundo. A divulgação científica tem corroborado esse entendimento, ou seja, o da necessidade de mostrar a Amazônia no contexto internacional e nacional.

Nesse tópico específico, a divulgação científica é disseminada por meio da comunicação nas mídias impressas, nas mídias virtuais, nos canais de comunicação de massa (TV, rádio, dentre outros), nos espaços de educação não formal científica, em programas pós-escolares e em outras formas híbridas (NATIONAL RESEARCH COUNCIL, 2009). Isso inclui as instituições escolares, por exemplo, porém não se limitando às aulas de Ciências, pois os alunos são também o principal público de museus de ciências e seus congêneres (BOURDIEU; DARBEL, 2007).

Há, contudo, um limite. Por exemplo, toda mídia possui seu designer, mensagem, composição e público, sendo que isso pode reduzir ou aumentar diferenças culturais. Segundo Bourdieu e Darbel (2007), os frequentadores dos museus são aqueles com formação a partir do “ensino médio”, com padrão socioeconômico confortável e que possuem atividades culturais familiares que propiciam um capital cultural que colabora com a interpretação e para o amor às artes e às ciências. Resultados semelhantes foram apresentados na última pesquisa de percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil (CGEE, 2017). Segundo essa pesquisa, os mais instruídos e abastados tinham maior interesse e consumiam informações de Ciência & Tecnologia (C&T). Os resultados apontam para o fato de que um percentual acima de 75% da população tem interesse em C&T. Esse percentual pode ser considerado elevado, mas há que se questionar se o interesse reflete o que a população efetivamente acessa e com o que ela interage, a exemplo de leituras sobre o assunto e de visitas a museus e a centros de ciências, por exemplo.

Dessa forma, o nosso objetivo neste ensaio é fazer uma tessitura a partir da perspectiva comunicativa da Divulgação Científica − DC enquanto discurso ideológico constituído e construído a partir da cultura e da realidade social historicamente situada, utilizando o exemplo do tema Amazônia. O nosso procedimento metodológico foi ensaístico, teórico, em aproximar conceitos da análise dialógica do "círculo de Bakhtin" (Bakhtin, Brait, Stella, Volochinov, entre outros) e estudiosos do tema de divulgação científica (Bueno, Chassot, Vogt e outros) em função da temática Amazônia realizada por meio de espaços de educação não formal em Manaus/AM.

 

Conceitos Ligados à Cultura e à Divulgação Científica

Inicialmente cabe relembrar que o termo "cultura" remete à ideia de "cultivar", ou seja, a forma de criar, humanamente, elementos da nossa própria vida. Segundo Morin (2009, p. 15),

[…] a cultura constitui um complexo de normas, símbolos, mitos e imagens que penetram o indivíduo em sua intimidade, estruturam os instintos, orientam as emoções [...] realizam trocas mentais de projeção [...] personalidades míticas ou reais que encarnavam os valores [...] uma cultura fornece ponto de apoio imaginários à vida prática, pontos de apoio práticos à vida imaginária; ela alimenta o ser semi-real, semi-imaginário, que cada um secreta no interior de si (sua alma), o ser semi-real, semi-imaginário que cada um secreta no exterior de si e no qual se envolve (sua personalidade).

Nesse sentido, inicialmente se pode entender que a Ciência faz parte da cultura em geral enquanto cultura praticada pelos cientistas. Diferentemente, porém, na atividade da produção e da reprodução do conhecimento científico passa a haver a promoção de uma cultura específica − de uma esfera social diferenciada − com códigos, valores, práticas e relações de poder próprios e diferenciados da cultural geral (BOURDIEU, 2003).

Diante disso, o assunto “ciência” pode ser entendido como “cultura[3] científica”. Segundo Vogt (2003), esse processo de divulgação está contido na espiral da cultura científica. Figura 1.

Figura 1: Espiral da cultura científica de Vogt.

Fonte: Vogt (2016).

 

Essa espiral indica um movimento constante e, por isso, cada quadrante influencia os outros por meio do movimento dinâmico da difusão científica na sociedade e seus indicadores. O início ocorre no primeiro quadrante com a produção e a difusão científica pelos cientistas que colaboram com a formação dos cientistas. No segundo quadrante se encontra o ensino de ciências e formação de cientistas, que se refere à educação formal que o sujeito recebe na escola.

Esse fluxo encaminha do discurso polissêmico das comunicações científicas para o discurso educacional monossêmico (mais sistematizado e filtrado pelos grupos). Esse movimento leva ao segundo eixo da produção e apropriação científica esotérica, em que “eso” significa "escondida", isso pelo fato de a confiança e a reprodução da tradição científica não ser questionada (CHASSOT, 2006). Depois segue para o extremo dos quadrantes três e quatro, na qualidade exotérica, em que “exo” significa "racional" e "compreensivo", no caso em relação ao processo de transposição das ideias para a compreensão social (CHASSOT, 2006), ou seja, esses quadrantes são os do ensino de ciências aos estudantes, incluindo museus e a divulgação científica de forma mais ampla para a sociedade

Nesse sentido, segundo Bueno (2010), podemos compreender a ação de difundir informações sobre ciência, tecnologia e inovação em duas formas: a divulgação científica e a comunicação científica. A divulgação científica, também denominada de vulgarização científica, compreende a “[…] utilização de recursos, técnicas, processos e produtos (veículos ou canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações ao público leigo” (BUENO, 2010, p. 2). A comunicação científica, também chamada de disseminação científica, por sua vez, “[...] diz respeito à transferência de informações científicas, tecnológicas ou associadas a inovações e que se destinam aos especialistas em determinadas áreas do conhecimento” (BUENO, 2010, p. 2).

Quanto à divulgação científica, a ela é atribuída uma missão educativa, voltada para um público leigo e realizada por uma diversidade de canais (impressos, internet, vídeos, exposições, museus, centros de ciências, etc.) e acontece por meio de Texto de Divulgação Científica − TDC realizado por jornalistas científicos (ou não jornalistas), denominados de divulgadores científicos (NASCIMENTO, 2008).

A percepção de atividade científica se dá, todavia, como em qualquer outra atividade, pois está sujeita a influências ideológicas, sociais e econômicas (BUENO, 2010), ou seja, possui a sua visão de mundo e do jornalista científico se espera uma reflexão e divulgação de forma menos dogmática. Dessa forma, a leitura da realidade não pode ser ingênua, evitando a construção de um imaginário neutro e idealista de cientista, e de produção científica que não leve em conta o financiamento científico, envolvimento de agentes e atores (órgãos governamentais, capitais de empresas e influências sociais), dos profissionais da ciência (cientistas e profissionais da cadeia produtiva dependente da atividade científica – revistas científicas, empresas de equipamentos e recursos relacionados às atividades de pesquisa) e interessados pelos produtos da ciência (tecnologias para produtos e inovação). Isso pode refletir nos TDCs para a compreensão.

Nesse entendimento, outro conceito muito utilizado é a “alfabetização científica”. Esse termo, segundo Vogt, Cerqueira e Kanashiro (2008), remete à designação em inglês scientific literacy [“letramento científico” é sua transliteração], isto é, tornar um leigo informado das questões da ciência. À vista disso, nos Estados Unidos da América foi postulado o conceito de deficit de informação (ou teoria do deficit). Esse conceito deu início às pesquisas, por meio de survey, sobre o conhecimento de fatos científicos por parte da população estadunidense, assim apoiando o processo de elevar o nível de conhecimento científico da população. No caso, o conhecimento científico se tratava somente na sua presença ou acumulação na escola e, por meio da DC, aproximando-se da visão de mundo restrita, sem a necessidade da reflexão crítica nem atenção às suas contingências de produção, influência e responsabilidade da sociedade em geral.

Cunha (2017), contudo, recentemente propôs rediscutir o entendimento do termo scientific literacy para os praticantes da língua portuguesa, isto é, não compreender somente como atividade de leitura e compreensão dos códigos que a ciência constrói sobre o mundo natural e também não apenas definir um público como letrado ou alfabetizado no assunto. Muito para além disso, scientific literacy deve ser entendido como leitura e escrita realizada num grupo de praticantes, ou seja, em instituições de cultura, e, por isso, que todo letrado em ciências é um praticante cultural da leitura e dos códigos que apreende e pratica numa perspectiva cultural. Logo, um letrado científico seria um praticante numa perspectiva da cultura científica da leitura e escrita (código) científica, em algum nível (dos produtores aos divulgadores).

Essa ideia é efetivamente interessante. Segundo ela, é letrado em ciências quem tem a capacidade de dialogar numa teia cultural, ou seja, no encontro de culturas, seja letrada ou não letrada, numa proficiência de reconhecer elementos da realidade por meio da leitura científica e dialogar com esses elementos a partir da visão de mundo (talvez não letrada cientificamente) nos termos da cultura científica corrente (abertura/enriquecimento cultural); como fundamento, a percepção da relação cultural que objetos e fenômenos da realidade possuem, em comum, elementos singulares que despertam a nossa atenção e instigam a construção de narrativas para a atribuição de sentido, porém narrativas limitadas pela natureza física e pelas construções culturais humanas (MORIN, 2000).

A aproximação cultural entre o cotidiano e a divulgação científica mediante o letramento pode acontecer pelo dialogismo, ou seja, um diálogo que constrói as noções e os entendimentos sobre C&T entre a mídia de DC e o interlocutor. Por essa razão vamos tratar do discurso enquanto aspecto comunicativo da DC.

 

Aspectos Discursivos Baseado no Círculo de Bakhtin[4]

A partir dos estudos de Mikhail M. Bakhtin a comunicação moderna passou por uma transformação de conceitos, sejam os conceitos ligados a um idealismo individualista da língua, sejam os conceitos opostos de objetividade abstrata da linguagem. Bakhtin, diferentemente, apresenta o movimento, a vida, o relativo e a abertura da construção do significado na comunicação, e isso somente pode ser percebido no dialogismo. Aqui o “[...] dialogismo são as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados” (FIORIN, 2016, p. 22), ou seja, em diálogo, em palavra e sua contrapalavra (resposta).

Bakhtin utiliza o termo “prosificação” – derivado de "prosa" – para identificar a comunicação polifônica e “contaminada” por pensamentos distintos de campo sociais diferentes, não ocorrendo somente o estilo da épica e da tragédia. Essas expressões distintas e contaminadas de campos sociais diferentes são portadoras da sua origem social e do seu contexto socioeconômico. Dependendo da origem e do contexto, a relação comunicativa (por signos) entre falantes adquire sentidos diferentes, isto é, esses signos são ideológicos (MACHADO, 2017).

A comunicação realizada por signos ideológicos é a expressão cultural construída socialmente em relação dialogal de um referente material (palavra, cor, gesto, etc.) de significação na comunicação num contexto social e histórico. Sendo que o signo ideológico é como um elo contínuo da passagem entre a organização socioeconômica (infraestrutura) e os sistemas ideológicos (superestruturas), e é a unidade possível material de pesquisa social (VOLOCHÍNOV; BAKHTIN, 1981). Por isso, esses signos ideológicos são construídos coletivamente, inicialmente, com as pessoas de círculo de proximidade (família, comunidade), ao que se convencionou denominar "ideologia do cotidiano", e, na base da ideologia do cotidiano, o signo é apropriado e reconstruído em algum campo social com função distinta (científica, arte, literatura, política, etc.), então denominados "ideologia da esfera social" (ALMEIDA, 2011).

O signo ideológico é a base sociopsíquica de comunicação de significado e, então, a mesma pela palavra, ou seja, a consciência é formada pelo conteúdo de signos ideológicos apreendido socialmente em relação social, dialogal, no qual o significado é construído na responsividade. A palavra, o seu sentido, no círculo de Bakhtin, não é a palavra dicionarizada, mas a construção do signo em relação dialógica e, por isso, a palavra não corresponde ao termo “palavra” apenas, mas corresponde a "discurso" (STELLA, 2017), podendo assumir vários sentidos e enfoques.

Assim, o significado social é dialógico, ou seja, ocorre na relação, pois a unidade de sentido não está na frase ou nos parágrafos, mas nos enunciados. O emprego efetivo da língua se realiza nos enunciados (orais ou escritos), concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da atividade humana, e esses enunciados são compostos por seu conteúdo temático (ligado à atividade humana), pelo estilo linguístico (expressão comunicativa) e pela construção composicional (forma de organização) (BAKHTIN, 2017a). O enunciado é definido também por três fatores: a) o horizonte espacial comum dos interlocutores; b) o conhecimento e a apreensão comum da situação por parte dos interlocutores; c) a avaliação comum dessa situação (BRAIT; MELO, 2017).

Logo, na comunicação rica em ideologia do cotidiano e de esferas sociais, a vida se expressa no diálogo, e esse enunciado completo (total, com início, meio e fim) se expressa na sua enunciação para um interlocutor por uma resposta. Assim, o dialogismo torna-se a base da prosa e a sua fonte mobilizadora de signos ideológicos.

O enunciado, nos seus “tipos estáveis”, é composto pelos gêneros do discurso (ou discursivos) (BAKHTIN, 2017a). Entendemos que os gêneros são tipos de textos, conjuntos textuais que têm traços em comum. Sendo que os gêneros possuem a mesma constituição dos enunciados em conteúdo temático, estilo e construção composicional.

Assim, há os gêneros discursivos primários, ou seja, os do cotidiano (as expressões na família, na feira, na comunidade, etc.), e os gêneros discursivos secundários, isto é, das esferas sociais (ou atividade humana, livro didático, revista científica, divulgação científica, etc.). Trata-se de gêneros organizados e institucionalizados segundo normas oficializadas.

Aqui vale retomar a crítica de Bakhtin à teoria literária clássica de análise cristalizada, dicionarizada e “pura” dos textos e enunciados nos gêneros literários anteriores à prosa. Bakhtin (2017b) relaciona isso ao discurso monológico, isto é, a uma concentração do falante no próprio objeto de seu discurso e em sua relação com ele sem se voltar para o ouvinte, sem levar diretamente em conta os pontos de vista e as apreciações dos outros (BAKHTIN, 2017b, p. 124). Então, ao discurso monológico, o autor contrapõe o discurso da participação do outro, ou seja, o discurso dialógico, que pressupõe polifonia (muitas vozes, planos de vozes), concentrado no relativo-dialógico discursivo (palavra e contrapalavra, em movimento), focando no outro o objetivo comunicativo, luta ou polêmica, de acordo com gênero. Isso implica uma popularização (cultura em dialogização) do que foi exclusivo de alguma ideologia de esfera social (atividade humana de acesso restrito).

Machado (2017) apresenta o enriquecimento do gênero discursivo apontando o conceito “cronotopo” (cronos: tempo; topo: espaço), em que cada texto possui o seu autor, auditório, espaço e tempo localizado historicamente. Esses fatores constituem, então, o cronotopo, ou seja, a visão de mundo que caracteriza, cultural e historicamente o discurso ali havido.

Segundo Machado (2017), as contribuições dos gêneros discursivos têm sido válidas para a compreensão atual das comunicações, que estão cada vez mais dialógicas na mídia de massa, nos programas de TV e nos das emissoras de rádio, e as diversas formas de interação na internet com atividades humanas de relacionamentos sociais (redes sociais), marketing, comércio, educação, entre diversas aplicações.

Para além do romance, na mídia de livro impresso, hoje temos as mídias audiovisuais (filmes), áudios, vídeos, cartazes, artefatos tecnológicos e plataformas interativas. Essas mídias se têm tornado verdadeiros gêneros discursivos, ou seja, atividades sociais em que o discurso é a língua in acto, para isso usando como texto, como enunciado, a “imagem técnica” (SOUZA, 2007). Nesse tipo de discurso pode ser percebida a sua função comunicativa em “obra-enunciado”, ou seja, uma obra funciona culturalmente como réplica de um diálogo, pois não apenas provoca a resposta do outro, como também se relaciona com outras “obras-enunciados” (MACHADO, 2017, p. 162).

Desse modo, na atividade da Divulgação Científica, para além dos textos das revistas, pode-se ressaltar o papel dos museus como mídia discursiva espacial. Nesse sentido, aproximamos os museus enquanto gênero discursivo historicamente situado, com o sujeito enquanto curadores e projetistas, e sua relação dialógica numa contextualização complexa para formar as obras-enunciados que pretendem dialogar com os visitantes, em uma potencialidade do grau de dialogicidade monológica/dialógica.

Enquanto gênero discursivo, desdobramos nossa aproximação em função das condições específicas de conteúdo temático, estilo de linguagem e construção composicional, numa expressão de grau de dialogicidade (o carácter dialógico é mais evidenciado) e monologicidade (o carácter fechado a uma ideologia científica, ou outra, é evidenciado, e excluindo o diálogo popular, tratando-se somente de conformar e informar).

Observando a pesquisa comunicativa no processo de produção de significado e condições de produção de sentido numa cultura, Cunha (2009) e Cunha e Giordan (2009) concluíram, utilizando a teoria dos gêneros discursivos de Bakhtin, que a Ciência, a comunicação e o público possuem discursos distintos, e o Discurso da Divulgação Científica − DDC possui um discurso influenciado pela esfera onde circula esse discurso. Na pesquisa desses autores, o DDC se refere às revistas de circulação nacional, a partir do texto verbal.

Nós acreditamos que qualquer mídia de DC pode ser analisada enquanto discurso da DC em gênero específico para a promoção de diálogos e interpretações.

Segundo Bakhtin (2017c), a interpretação criativa, ou seja, aquela que é feita no “grande tempo” (não imediata, mas ao longo do tempo, ou para contextos recentes, a que Bakhtin chama de supradestinatário), significada e ressignificada de acordo com o desenvolvimento histórico das riquezas de uma obra no campo da cultura, para essa interpretação é necessário o distanciamento. É a alavanca mais poderosa para a interpretação: “A cultura do outro só se revela com plenitude e profundidade […] aos olhos de outra cultura” (BAKHTIN, 2017c, p. 18-19). Nas nossas questões, com a compreensão do dialogismo, podemos buscar essa compreensão sem intenção de fechamento no unilateralismo desse sentido, dessa cultura. Colocamos questões que, nessa cultura, não foram colocadas; procuramos respostas a essas questões e a cultura do outro nos responde, mostrando novos aspectos, novas profundezas de sentido.

Nessa acepção, a cultura científica é outra cultura em relação à cultura do cotidiano. Nesse diálogo cultural, para o enriquecimento cultural, é importante o que Carvalho (1996), baseado nos escritos de Aristóteles, chamou de "nível de credibilidade" ou nível de aceitação do discurso. Isto é, aproximando o enunciado e sua estrutura a temas distintos usando o mesmo signo ideológico. Esses níveis são: a) discurso poético/mito (dínatus) dirigido à imaginação para captar o que ela presume em uma impressão do possível; b) discurso retórico/confiança (pístis), em que, para além da presunção, há a anuência da vontade, de modo que a crença de um homem sobre outro homem por meio da persuasão pode produzir decisão; c) discurso dialético (peirástica), que é sugerir ou impor a crença à prova, ou seja, “mede”, por ensaio e erros, a possibilidade maior ou menor de uma crença ou tese segundo as exigências superiores da racionalidade e da informação acurada; d) discurso lógico ou analítico (apodêixis), que parte das premissas admitidas como indiscutivelmente certas e chega ao silogismo, à demonstração certa. Os níveis vão do mais simples e imaginativo (poético) ao mais complexo e verossímil (analítico).

Entendemos que os gêneros discursivos do cotidiano (primário) se relacionam ao poético, ao retórico e até ao dialético, contudo o discurso científico está no discurso dialético ao analítico (não quer dizer que não possua influência dos outros discursos). O DDC dialoga com o discurso cotidiano, ou seja, muitas interações se iniciam, possivelmente, no nível mitológico (poético) e busca conduzir a construir um discurso persuasível retórico e/ou dialético para desconstruir obstáculos epistemológicos. Todavia, a mediação ideológica será por meio do discurso dialógico, vale dizer, menos monológico e autoritário.

 

O Exemplo da Amazônia e Considerações Finais

A Amazônia é um signo ideológico. O seu processo de significação se refrata em várias esferas sociais para a produção de sentido. Nessas situações, Amazônia pode significar coisas distintas, significações que ora se aproximam do discurso cotidiano, ora dele se afastam e se aproximam do diálogo com o conhecimento científico.

Aragón (2013) ilustra a polissemia do termo Amazônia ao se referir nos seguintes discursos: ao grupo econômico agropastoril como floresta improdutiva; as grandes empresas ligadas à produção farmacêutica e de defensivos agrícolas como vazio demográfico a ser explorado; há empresas que utilizam o nome Amazônia como marca comercial em seus produtos para associar as ideias de sustentável, ecológico, e práticas das populações tradicionais (sabedoria), como empresas de cosméticos. Ocorre que há um silêncio propositado nesses discursos, pois eles nunca informam que a manutenção das suas florestas gera ganhos econômicos e financeiros devido à captura de carbono e ao equilíbrio climático. Por outro lado, há um propositado falso discurso de que a Amazônia seja um vazio demográfico, ou seja, que seja um território “impovoado”, pois se trata de variadas regiões povoadas com diversos grupos sociais em equilíbrio de formas de subsistências e de produção cultural integrada com a manutenção da floresta. Então é também falsa a associação dessas florestas com conceitos ecológicos, econômicos e culturais, quando esses conceitos são explorados por marcas no marketing dos seus produtos que não necessariamente produzem contrapartidas positivas para aqueles que realmente ocupam a Amazônia. A propaganda daí derivado é, muitas vezes, uma propaganda hipócrita. Desse modo, qualquer um desses discursos pode estar, mais provavelmente, vinculado a interesses de grandes grupos econômicos do que a interesses genuinamente amazônicos, ainda que esses discursos estejam inseridos na divulgação científica feita sobre o tema Amazônia.

Enquanto fenômeno de polifonia científica, vemos Fonseca (2011) apresentar a Amazônia a partir da perspectiva das diversidades amazônicas: a) diversidade física/natural: expressa paisagens e ecossistemas de distintas características, como na tipologia de águas, mosaico de texturas e químico do solo, minerais, regimes pluviométricos, diferenciação climática, etc.; b) diversidade de povoamento: imposto de fora para dentro e migrações internas contam como povos que se extinguiram, que se miscigenaram e/ou se mantiveram; c) diversidade cultural: relacional ao povoamento, em que grupos explicam e vivem numa forma de ser a partir da sua relação com a floresta; d) diversidade social: entende uma ideia de ecologia humana, formas de interação e dinâmica de pessoas e grupos no meio físico, político e socioeconômico de adaptação; e) diversidade biológica: ou biodiversidade, a biomassa, as espécies e a sua riqueza genética, relações ontogenéticas e com os ecossistemas, e de origem incógnita; e f) diversidade econômica: relacional às outras diversidades e que se dá na forma de produção material de recursos, de riquezas e de produtos.

A divulgação científica amazônica feita por alguns é reduzida à diversidade biológica associada à biologia como campo/esfera de pesquisa científica. Em parte, isso foi uma forma de alimentar o imaginário de visitantes estrangeiros e até de brasileiros de outras regiões para aproximá-los das manifestações amazônicas, como a sua floresta. Cabe contrapor, porém, que a própria Biologia considera, em sua epistemologia, a integralidade da vida, pois o ser vivo só tem sentido no seu ambiente, em interação (CZERESNIA, 2012). Assim, as pesquisas podem ser acompanhadas de outras pesquisas relacionadas à arquivologia, à geografia, à história e a tantas outras ciências na sua abordagem interdisciplinar[5]. Logo, a DC sobre a Amazônia deve contemplar para além da riqueza da biodiversidade, enfocando, em especial, as interpretações dos povos amazônicos, “o outro” amazônico, sobre a própria Amazônia (FONSECA, 2011; ARAGÓN, 2013).

O estudo dos organismos é inalienável do estudo do respectivo ambiente, logo é imprescindível considerar a área geopolítica e administrativa ocupada pelos grupos sociais que sobrevivem possivelmente do ecossistema. Assim, todo estudo biológico possui a potencialidade de estar imbricado com estudos de todas as outras diversidades. Isso gera o modelo por camadas discursivas, o elemento de conhecimento da DC. Por exemplo, um espécime possui a sua área físico/natural, povos/grupos presentes de contato, uma interpretação cultural para o espécime (um discurso), uma interação entre povos/grupos determina a forma de se relacionar com o espécime, a forma econômica de uso baseado nas outras diversidades para a parcimônia.

Dessa forma, os discursos/enunciados são vinculados aos tipos de comunidades, podendo ser as não voluntárias (família, tribo, nacionalidade) − em que se apreende a cultura e a ideologia do cotidiano − ou as comunidades voluntárias (política, empresa, educação, instituição científica, ONG, etc.) − em que se desenvolve uma ideologia específica de atividade humana. Esses variados discursos/enunciados estão em dialogismo, ora em confronto, ora em concordância com os signos ideológicos amazônicos.

A DC sobre a Amazônia, por meio dos gêneros discursivos (revistas de DC, espaços de educação não formal científica, mídias diversas), apresenta o objeto de discurso a partir de sua autoria, e está ligada à sua comunidade de origem (empresas, órgão de governo, centro de comunicação). Então uma peça de DC sobre a Amazônia tem um interesse não neutro de comunicar num quadro ideológico próprio e que conduz aos interesses alimentados na sua comunidade. Na Amazônia brasileira podemos destacar o trabalho realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) de divulgação e jornalismo científico (GUIMARÃES et al., 2014) e de museus de ciências, como o Museu de Pesquisa Emílio Goeldi e o Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (CANDOTTI; FRANCO; FERRAZ, 2010).

Por fim, o enriquecimento cultural se dá no dialogismo dos enunciados/textos, TDC, que podem ser impositivos monológicos ao grupo de recepção e, nesse caso, poderá ocorrer uma apropriação ideológica no mínimo dificultosa e fragmentada ou, por outro lado, pode ser dialógica e enriquecedora que se dá com signos do cotidiano, e não possui um interesse de “colonizar” os ignorantes, mas dialogar com seus signos ideológicos. Nessa lógica, os níveis de credibilidade de Carvalho podem ser úteis na construção ideológica racional, na qual se respeitam e se apresentam os discursos míticos poéticos e, por conseguinte, se trata dos discursos retóricos (confiança).

Por fim, podem ser dialéticos ou fazer provas dos signos da sua consistência e coerência e assim analisar obstáculos de compreensão sobre os temas amazônicos. Uma proposta relativamente recente é o Museu da Amazônia (Musa), localizado no espaço da Reserva de Pesquisa Adopho Ducke, em Manaus/AM, no qual as primeiras mostras não são os elementos na floresta, mas mitos e práticas culturais de povos indígenas, e, assim, após um diálogo de como outra cultura (ressignificação) se relaciona com a floresta e seus recursos, os visitantes, normalmente urbanos, fazem o percurso educativo guiado nas trilhas florestais (CANDOTTI; FRANCO; FERRAZ, 2010), trilhas que se tornam obras-enunciados. Vejam-se, nas Figuras 2 e 3, alguns exemplos.

Figura 02: Mostra sobre o cotidiano e artefatos. Banners e exemplares de artefatos indígenas no grupo linguístico Tucano Oriental e Arawak, tribos do Alto Rio Negro. Fonte: Dos autores (2018).

Figura 03: Mostra Peixe & Gente. Ilustração esquemática do Tucunaré-Açu com legenda, nome científico e nome utilizado no grupo linguístico Tucano Oriental e Arawak, Alto Rio Negro. Fonte: Dos autores (2018).

 

Não se trata de mera C&T, mas o que sustenta essa C&T. Caso contrário se trocaria uma narrativa/discurso autoritária/o por outra/o em que não há crescimento pelo enriquecimento, mas mais “idolatria ideológica” sobre signos que não foram construídos dialeticamente e de forma apropriada ao contexto de enriquecimento. Essa idolatria ocorre na prática do cientificismo, do tecnicismo, do economicismo e do hedonismo, ideologias que exaltam a C&T como fim em si e como salvadoras da humanidade, e não apresentam a responsabilidade humana e planetária (MORIN, 2002); e, para estas últimas, promoverem uma experiência enriquecedora é necessário o diálogo.

Por isso, o distanciamento para uma cultura dialogar com a outra é fundamental para o enriquecimento. Assim pensando, a C&T, como cultura científica, é distante dos seus processos de produção e das culturas cotidianas e de outras esferas; contudo, visa-se a promoção da abertura cultural, por meio da DC, na busca da alfabetização/letramento científico, e essa amazônica, e não a mera reprodução dos discursos estrangeiros, mas brasileiros e amazônicos.

Agradecimentos: Registramos o agradecimento a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal em Ensino Superior pelo apoio financeiro por meio da bolsa de estudos. S.D.g.

 

REFERÊNCIAS


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[1]Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Educação Matemática (PPGECEM) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Docente do Instituto de Ciências Biológica na Universidade Federal do Amazonas. E-mail: sauloseiffert@ufam.edu.br

[2]Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Educação Matemática (PPGECEM) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. (Unioeste). E-mail: borin.unioeste@gmail.com

[3] Vogt (2003) entende "cultura [...] nesse sentido restrito, e em todas as suas manifestações filosóficas e científicas, artísticas e literárias, sendo um esforço de criação, de crítica e de aperfeiçoamento, como de difusão e de realização de ideais e de valores espirituais, constitui a função mais nobre e mais fecunda da sociedade, como a expressão mais alta e mais pura da civilização". Compreende, contudo, a discussão da cultura científica em cultura da ciência, cultura pela ciência e cultura para a ciência.

[4] Partes do texto desta seção são reedição do manuscrito submetido ao VI Simpósio Nacional de Educação (2018).

[5] Um exemplo, entre outras organizações, é o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Disponível em: <https://www.mamiraua.org.br/pt-br/pesquisa-e-monitoramento>.